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Temer: um ano na Presidência em meio à desconfiança dos brasileiros

  • Patrick Vaz
  • Redacção VOA

Michel Temer

Presidência destaca "um ano de coragem, trabalho e avanços", mas sondagens não acompanham optimismo

O Presidente brasileiro Michel Temer completa nesta sexta-feira, 12, um ano à frente do Governo, que assumiu após Dilma Rousseff ter sofrido um impeachment no Congresso Nacional.

O governante passa o dia reunido em Brasília com os seus ministros para um balanço deste primeiro ano de gestão.

Apesar de demonstrar optimismo com o crescimento e desenvolvimento do país, apesar das graves crises políticas e económicas, Michel Temer não tem convencido a maioria dos brasileiros e mais da metade reprova as ações do Governo Federal.

A Presidência lançou na internet uma nova página em comemoração ao primeiro ano de gestão. Com a marca "Agora Brasil", a nova página da internet destaca "um ano de coragem, trabalho e avanços".

Entretanto, o que mais tem incomodado os críticos são as propostas de reformas trabalhista e da previdência.

As reformas

Eles entendem que a Presidência quer enfraquecer ainda mais os trabalhadores em benefício da classe patronal.

Já os grandes empresários apoiam o Presidente e esperam que essas propostas sejam aprovadas o mais breve possível no Congresso Nacional.

Os especialistas demonstram preocupação com essas propostas do Governo, sobretudo porque até o momento não houve um amplo diálogo com todas as classes sociais, como explica o director da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, Peter Poschen.

“Para um projecto muito complexo e ambicioso de reforma, pensamos que é necessário permitir um debate extenso. Deveria ser objecto realmente de um diálogo social entre todos os atores implicados, trabalhadores, empregadores, Governo e Congresso. Uma reforma que não acerte, que não tenha um bom entendimento dos impactos potenciais que vai ter e que não leve em conta essas experiências talvez não tenha muita sustentabilidade. Rapidamente aparecerão problemas e isso vai requerer uma nova reforma sobre essa reforma proposta. Pensar que a Reforma Trabalhista vai gerar emprego a curto prazo é quase certo que não irá”, disse Poschen.

O economista Márcio Pochmann, ex-director do Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (IPEA), avalia que a Presidência não deveria propor mudanças profundas nas reformas trabalhista e da previdência, pois governantes antigos já as mudaram várias vezes, desde a década de 1985.

Ele também destaca que os trabalhadores serão os mais punidos com essas mudanças.

“Não me parece que tenhamos uma lacuna tão grande que exigisse uma reforma tão profunda como está se pretendendo. Num segundo aspecto que me parece também ser relevante considerado é que estamos fazendo modificações num governo questionado pela própria população e pelo governo anterior e estamos na iminência de ter uma nova eleição presidencial a pouco mais de um ano. Corre o risco dessas reformas serem objetos de questionamentos dos seus resultados e de suas formas no próximo processo eleitoral”, ressaltou.

Sobre os impactos dessas reformas aos trabalhadores, o economista enfatizou não ter “dúvidas que os trabalhadores brasileiros serão os mais prejudicados. Modificar a legislação numa circunstância como essa é fundamentalmente penalizar os trabalhadores e ao mesmo tempo acreditar que as mudanças na legislação serão responsáveis pela capacidade do país voltar a crescer e gerar empregos”.

Números

Entretanto, as sondagens e observadores indicam que Michel Temer está longe de atingir os objectivos a que se propôs: recuperar a estabilidade fiscal, retomar o crescimento econômico e resgatar a credibilidade política.

Além disse, tem apenas um ano e meio pela frente para tentar mudar a situação.

O projecto de “salvação nacional” previa uma forte guinada à direita em relação à gestão petista.

A aposta era de que o aperto de cintos nas contas públicas, somado a reformas para estimular a economia, iria levar à retomada do crescimento e, como consequência, a confiança dos brasileiros na política seria restabelecida.

Um ano depois, o Governo não conseguiu cortar gastos na proporção que precisava e o défice projetado para este ano, de 45 mil milhões de dólares, pode ser ainda maior se não houver novas fontes de receita.

Já a economia encolheu 3,6% no ano passado e, para 2017, a expectativa é de um tímido crescimento de 0,5%, o que, na verdade, representa uma estagnação num patamar de atividade econômica muito baixo.

O desemprego bateu recorde e hoje atinge 13,5 milhões de trabalhadores, ou seja 13,2% da população economicamente activa.

Várias sondagens apontam para uma aprovação de menos de 10 por cento do trabalho do Presidente Michel Temer, que já revelou que não será candidato em 2018.

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