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Tanques do exército zimbabweano avançam em direcção a Harare

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Constantino Chiwenga, comandante das Forças Armadas

Movimentação acontece depois do general Constantino Chiwenga ter prometido intervir contra depurações no seio do partido

Quatro tanques foram vistos nesta terça-feira, 14, a caminho da capital do Zimbábwe, Harare, relataram testemunhas à agência de notícias Reuters.

Esta movimentação acontece um dia depois de o comandante das Forças Armadas, general Constantino Chiwenga, ter afirmado estar preparado para "entrar" e reprimir as depurações dentro do partido governamental ZANU-PF contra os apoiantes do demitido vice-presidente Emmerson Mnangagwa.

Outra testemunha revelou ter visto mais dois tanques estacionados ao lado da estrada principal entre Harare e Chinhoyi, a 20 quilómetros da capital.

Os soldados foram abordados pela Reuters mas recusaram-se a prestar esclarecimentos.

Tensão depois de demissão de Mnangagwa ​

A tensão aumentou no Zimbabwe nesta terça-feira, 14 de Novembro, um dia depois de o comandante das Forças Armadas General Constantino Chiwenga ter ameaçado intervir se não pararem as purgas no interior do partido no poder ZANU-PF, particularmente contra veteranos da organização e apoiantes do demitido vice-primeiro ministro Emmerson Mnangagwa

Enquanto a ala juvenil do partido pedem que o Governo civil seja protegido, analistas advertem para uma crise potencial no seio do ZANU-PF.

Ontem o general Chiwenga pediu a Mugabe para parar as perseguições.

O demitido Emmerson Mnangagwa enfrentou repetidamente a primeira dama Grace Mugabe, apontada como futura vice-presidente, que assumiria o poder após a morte de Robert Mugabe.

"Devemos lembrar os que estão atrás dos actuais traidores que, quando se trata de proteger a nossa revolução, os militares não hesitarão em intervir", disse Chiwenga na sede militar do rei George VI, de Harare, numa intervenção sem precedentes.

Observadores dizem que Chiwenga apontava directamente às movimentações do Presidente Robert Mugabe para promover Grace Mugabe, ao mesmo tempo que mina publicamente os seus opositores.

O principal partido da oposição Movimento para a Mudança Democrática (MDC) pediu a defesa do governo civil após a ameaça de Chiwenga.

"Ninguém quer ver um golpe - não que eu esteja dizendo que haverá um golpe. Se o exército assumir, isso não será desejável. Isso irá travar a democracia e isso não é saudável para uma nação", afirmou o ministro sombra da Defesa do MDC, Gift Chimanikire, à AFP.

Por sua vez, a Liga da Juventude do ZANU-PF, que apoia fortemente Grace Mugabe, disse em comunicado que Chiwenga não está autorizado a escolher os líderes do Zimbabué.

"Nós ficaremos de guarda em defesa da revolução - como o povo da Turquia no ano passado, que repeliu as forças de segurança que queriam de interferir com um governo eleito", afirmou.

Nos círculos políticos, admite-se que Robert Mugabe poderá demitir o general Constatino Chiwenga, apontado como aliado de Mnangagwa derrubado.

A crise "indica mais um momento marcante e ameaçador para derrubar Mugabe", diz o analista político Alex Magaisa num artigo on-line.

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