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"Há que romper o silêncio contra abusos sexuais de crianças em Cabo Verde", diz psicóloga

  • Alvaro Ludgero Andrade

Ministério da Educação prepara campanha contra fenómeno recorrente.

Dados recentes revelados em Cabo Verde indicam que o país enfrenta casos crescentes de abuso e assédio sexuais nas escolas.

O tema tem despertado opiniões e críticas, bem como pedidos de medidas duras para evitar que esses casos continuem.

Nos últimos tempos, alguns professores foram condenados, mas o Ministério da Educação prepara agora uma campanha nas escolas visando debater e prevenir o problema.

Especialistas advertem, entretanto, que apenas uma campanha não basta.

A intenção da campanha é “travar a problemática do assédio e abuso sexual nas escolas”, de acordo com Alcídia Almeida, directora do serviço de gestão dos recursos humanos do Ministério da Educação de Cabo Verde.

Para isso, continua Almeida, “vamos ter de fazer todo um trabalho em parceria com as familiais e entidades para desenvolver essa consciência social e trabalhar para que a segurança das crianças e adolescentes seja uma prioridade nacional”.

Dirce Varela, psicóloga
Dirce Varela, psicóloga

O sucesso da campanha, segundo especialistas, depende, no entanto, de várias variantes.

Para a psicóloga Dirce Varela, “a sociedade cabo-verdiana ainda tem, de uma forma inconsciente, o tabu do abuso sexual”.

“A primeira vertente da publicidade, de falar sobre o assunto, do sair do silencia e, neste aspecto, a campanha ser uma mais-valia, mas também tem de ser transformada em competências”, defende Varela que aponta a necessidade de capacitar os professores, todos os integrantes da cadeia educativa, pais e comunidade.

Na conversa com a VOA, aquela especialista reconhece que Cabo Verde tem uma boa legislação nessa área, com os instrumentos legais necessários a um combate eficaz, mas faltam instrumentos sociais, “como a denúncia, o respeito ao outro e a consciência pela defesa dos direitos da criança”.

Dirce Varela avisa, no entanto, que a campanha não pode ser apenas durante um determinado período de tempo, mas de forma permanente, mas que se transforma numa “preocupação para a protecção da criança”.

A directora do Serviço de Gestão dos Recursos Humanos do Ministério da Educação de Cabo Verde reconhece que o abuso e assédio sexuais constituem uma prática recorrente ao longo dos tempos e que exige respostas eficazes.

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