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Radar Magrebe Lusófono #10: Pemba, Mocimboa da Praia e Abidjan 2017


Hotel Sofitel Abidjan, na Costa do Marfim, onde decorreu a cimeira entre a União Europeia e a União Africana

Pemba: actualização sobre o desembarque de mais de 60 Etíopes, identificados no Radar Magrebe Lusófono #9, como somalianos.

Desde a anterior publicação, foi possível confirmar que este grupo exclusivamente composto por homens, tem nacionalidade etíope e não somaliana, como inicialmente foi aventado.

Também se confirma tratar-se de um grupo de migrantes e não de refugiados, todos em posse de documentação falsa e com um camião que os aguardava para, tal qual o gado, os transportar território moçambicano abaixo até à próxima fronteira, muito provavelmente a que separa Moçambique da África do Sul e aí descortinar outra forma, ou a mesma, via marítima, de chegar a Terras do Rand. Confirma-se também estarem todos presos e que o destino será a deportação, pelos Serviços locais da Migração e Protecção de Fronteiras.

Mocímboa da Praia: Identificados os cabecilhas do 05 de Outubro e morte do Director Nacional de Reconhecimento da Unidade de Intervenção Rápida

Em permanente actualização, o assunto Mocímboa da Praia, vê finalmente nomes e caras associadas ao arrastão terrorista, que varreu esta localidade, durante os dias 04 e 05 de Outubro. Os cabecilhas deste ataque, serão então Nuno Adremane e Jafar Alawi, ambos de nacionalidade moçambicana e que terão seguido os seus estudos religiosos na Tanzânia, Sudão e Arábia Saudita, onde receberam treino de tipo militar sobre manuseamento de armas de fogo e armas brancas, à revelia das instituições de ensino onde estudaram.

O grupo de mal-feitores, encabeçado por estes 2, continuará ainda activo na região, tendo-se registado há uma semana um novo ataque na Aldeia de Mitumbate (actualização relativamente ao publicado sobre este assunto no Radar Magrebe Lusófono #9), provocando a morte a 2 habitantes locais e ferimentos em outros 2, para além de terem queimado 27 casas, o que poderá significar uma aldeia completamente destruída.

Recapitulando os números publicados no Radar Magrebe Lusófono #9, desde o dia 5 de Outubro até ao presente, 308 bandidos foram capturados, dos quais 208 processados criminalmente e 100 foram soltos, alegadamente por insuficiência de provas materiais. Dos 208 processados, 152 são homens e, 56 são mulheres, e destes, 165 são nacionais e 43 estrangeiros. Há também a registar que 44 crianças, cujos pais estão a contas com a polícia, em conexão com este caso, foram encaminhados à acção social para a assistência.

Entretanto, há a registar novo ataque em Mocímboa da Praia, o qual desta vez teve como vítima mortal o Director Nacional de Reconhecimento da Unidade de Intervenção Rápida. Há também 5 agentes feridos a lamentar, pelo que o ambiente no mato próximo de Mocímboa da Praia, bem como nesta cidade, é de guerra, na consequência da caça ao terrorista desencadeada há mais de 2 meses.

Cimeira União Europeia / União Africana

Abidjan 2017 ficará na História pela desilusão quanto a resultados práticos e por ter sentado à mesma mesa o Rei de Marrocos e o líder da RASD/POLISARIO.

Ficando-se pelas declarações de boas vontades, africanos (55 Estados) e europeus (28 Estados) nada resolveram relativamente ao tráfico humano, migrações, corrupção, perspectivas económicas para a juventude africana e, muito em particular, a situação na Líbia, o “Estado Ainda Falhado” onde convergem todas estas variáveis deste “Cancro Neocolonial” que impede que se atinjam as práticas que levem, um dia, à Boa Governança!

Ora este vazio de decisões de fundo, deu maior visibilidade a um confronto que se aguardava com bastante espectativa, já que esta foi a Primeira Cimeira EU/UA na qual Marrocos participou enquanto Membro de Pleno Direito, após ter reintegrado o Clube, em Janeiro último. Os marroquinos nunca viram com bons olhos a presença, no seio da UA e desta Cimeira, daquilo que consideram como uma “não entidade”, já que não reconhecida pela Comunidade Internacional, a República Árabe Sahraoui Democrática (RASD) e o seu “braço-armado”, a POLISARIO.

Para a diplomacia marroquina, após todas as cartas jogadas, decidiu optar pela presença do seu Soberano, Mohammed VI, cuja delegação de peso, que também incluiu o seu irmão e Príncipe Herdeiro Moulay Rachid e o primo de ambos, o Príncipe Moulay Ismail, ofuscando desta forma a presença argelina e sahraoui.

Na realidade, Mohammed VI sentou-se à mesma mesa que Brahim Ghali, Presidente da RASD, bem como quase que ficou ao lado deste na fotografia de família, optando por uma postura digna, descartando assim o ambiente de truculência que se adivinhava e que é reincidente sempre que marroquinos, sahraouis e argelinos, se encontram a menos de 10m de distância.

Ambas as partes reclamam vitória. Os marroquinos, porque a Corte que aterrou em Abidjan foi o centro das atenções, ofuscou os restantes e honrou com dignidade, a participação numa Cimeira de Grandes, assumindo-se como um Primus Inter Pares de pleno direito.

Ao argelinos e os sahraouis, reclamam vitória com o argumento que Mohammed VI ao sentar-se à mesma mesa que Brahim Ghali, está implicitamente a reconhecer a legitimidade e a existência da RASD/POLISARIO.

www.bragapiresraul.pt

Politólogo/Arabista/Colaborador VOA/Radar Magrebe

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