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Rádio Despertar despede jornalistas que integram a comissão sindical


Decisão acontece cinco dias depois de o porta-voz do Núceo Sindical ter revelada a sua suspensão em entrevista à VOA

A Rádio Despertar, ligada à UNITA, na oposição em Angola, despediu três jornalistas que pertenciam à comissão sindical na empresa e que estavam suspensos desde o dia 13 de Outubro.

A carta, com data de 8 de Novembro, foi conhecida pelos jornalistas nesta sexta-feira, 9.

O afastamento acontece cinco dias depois de, na passada segunda-feira, o porta-voz do Núcleo Sindical, Pedro Mota, ter denunciado em entrevista à VOA o afastamento dos jornalistas.

Serrote Simão, primeiro secretário do Núcleo Sindical, Francisco Paulo, primeiro Vogal para a Comunicação Institucional, e Pedro Mota, porta-voz, tinham sido suspensos depois de exigirem à Rádio Despertar que satisfizesse o caderno reivindicativo apresentado pelos trabalhadores em finais de Agosto.

Fontes da VOA em Luanda admitem que o processo foi “acelerado” depois da entrevista que o porta-voz do núcleo deu à Voz da América na terça-feira, 6 de Novembro.

Na ocasião, Mota acusou a entidade empregadora de prepotência ao não querer negociar o caderno reivindicativo apresentado em finais de Agosto.

O jornalista lamentou que a entidade patronal politize todas as iniciativas levadas a cabo pelo sindicato e apelou a uma maior sensibilidade da entidade patronal para resolver o impasse entre a direcção da Rádio e a Comissão Sindical.

Entre os pontos do caderno reivindicativo entregue à administração da Rádio Despertar constam a exigência de melhores condições de trabalho, aumento salarial, pagamento da segurança social e garantia de transportes para os mais de 40 funcionários.

Sem gravar entrevista, o presidente do Conselho de Administração da Rádio Depertar, Monteiro Kawewe, limitou-se a dizer que os pronunciamentos de Pedro Mota não eram verdadeiros.

Na carta enviada a Pedro Mota, com data de 8 de Novembro, a Rádio Despertar disse ter despedido o jornalista no fim de um processo disciplinar que lhe foi movido.

No processo, segundo o Departamento da Administração, Finança e Recursos Humanos da Rádio Despertar, Mota não compareceu à entrevista a que foi convocado para se defender, tendo enviado uma pessoa que não é advogada nem está inscrita na Ordem dos Advogados de Angola e, depois de tentativas de falar com o jornalista, decidiu aplicar a pena de despedimento.

A Rádio Despertar considera que Pedro Mota, entre outras violações, cometeu “desobediência grave ou repetida, a ordens e instruções legítimas dos superiores hierárquicos e dos responsáveis”, “ofensas verbais ou físicas de trabalhador da empresa ao empregador e seus representantes, indisciplina grave, perturbadora da organização e funcionamento de trabalho”, tendo, segundo a nota, Mota “quebrado a relação de confiança e de lealdade subjacente e essencial ao contrato de trabalho, tomado, por isso, impossível a subsistência do vínculo jurídico-laboral”.

Para a rádio, a conduta “comprometeu, irremediavelmente, a relação mínima de confiança, respeito e lealdade que deve existir entre a entidade empregadora e o trabalhador, pelo que atenta a natureza e a gravidade da mesma, não exigível a Rádio Despertar a manutenção do vínculo laboral”.

Recorde-se que esta não é a primeira vez que a direcção da Rádio Despertar suspende sindicalistas por reclamarem por melhores condições de trabalho.

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