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Profanação de túmulos de carecas provoca revolta em Moçambique

  • André Baptista

Residentes de Milange fazem vigília para deter profanadores

Pelo menos 15 túmulos, de homens carecas foram exumados e os esqueletos das cabeças roubados desde a eclosão do novo fenómeno da caça aos calvos hereditários no distrito de Milange, na provincia moçambicana da Zambézia, informaram nesta segunda-feira, 10, as autoridades.

Mário Macassa, administrador de Milange, disse que túmulos de pessoas calvas, que morreram há vários anos, foram violados em vários cemitérios do distrito, motivados pela superstição de que elas seriam fonte de riqueza.

“A população começou a denunciar a exumação de campas de carecas. Ao todo 15 túmulos foram violados em Milange”, disse Macassa.

Aquele responsável afirmou que a, em reacção, a população, farta das exumações,organizou em grupo para proteger os cemitérios, sobretudo através de vigílias noturnas, e conseguiu prender um grupo de homens que tentavam a exumar os carecas.

As autoridades locais iniciaram uma campanha de sensibilização das comunidades para a limpeza dos cemitérios como forma de eliminar o campo de manobra dos violadores dos túmulos para a caça aos carecas.

“Estão a limpar os cemitérios, porque sem capim, já se pode controlar de longe o movimento estranho nos cemitérios e denunciar”, frisou Mário Macassa, sustentando que o fenómeno está a ser extinguido com acções coordenadas do Governo com outros sectores.

Ao todo nove pessoas estão detidas em Milange, indiciadas por exumação de túmulos e ataques aos carecas, e outras já foram julgadas e condenadas por envolvimento na perseguição a calvos.

Desde a eclosão da onda de caça aos calvos em meados de Maio, cinco homens carecas foram assassinados, um dos quais decapitado, nos distritos de Milange e Morrumbala, na Zambézia, , de onde avolumam crenças de que o uso de órgãos de pessoas calvas em rituais tradicionais, poderia trazer riqueza.

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