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Hospital Central da Beira confirma autópsia a corpos encontrados em valas comuns

  • André Baptista

Corpos encontrados por camponeses perto da Gorongosa

Caso foi descoberto em Maio de 2016

O Hospital Central da Beira (HCB) confirmou a conclusão da autópsia de 11 corpos encontrados ao abandono numa mata de Macossa, na provincia moçambicana de Manica, quase um ano depois da sua descoberta e de denuncias da existência de valas comuns na zona.

A confirmação foi feita nesta segunda-feira, 17, pelo médico-legista e porta-voz do HCB, Bonifácio Cebola, que assegurou que os resultados já foram entregues à Procuradoria provincial de Manica, que mantém uma investigação ao caso.

A conclusão da autópsia aos corpos ocorre quase um ano depois da sua descoberta, em Maio de 2016, por um grupo de jornalistas, incluindo da VOA, após denuncias de um grupo de camponeses em Abril da existência de vala comum com centena de corpos largados numa mata, em zona limítrofe entre as provincias de Manica e Sofala.

“O que eu posso dizer é que as autopsias já foram realizadas e os processos (resultados) já foram entregues à procuradoria e é da alçada deles poderem se pronunciar, pois sabemos que está constituido um processo e como sabemos todo processo tem as suas normas”, disse Bonifácio Cebola.

Os resultados, a que remeteu ao pronunciamento das autoridades de justiça, deverão permitir identificar os corpos - de homens e mulheres, encontrados na maioria sem roupa e com sinais de estarem amarrados - e determinar as causas das mortes.

Cebola disse que enquanto o processo-crime estiver em instrução preparatória cabe à procuradoria fornecer os detalhes dos resultados dos corpos.

A procuradoria provincial de Manica confirmou a recepção dos resultados da autópsia dos corpos e garantiu divulgar em breve os dados recolhidos, que deverão indetificar os corpos e as causas da morte colectiva.

Apesar das autoridades apenas terem mencionado 11 corpos descobertos debaixo da ponte, existiam mais nove cadáveres, documentados por vários jornalistas no mesmo raio, na zona limitrofe entre os distritos de Macossa e Gorongosa, e sobre os quais nunca mais houve informações.

A história

A 28 de Abril um grupo de camponeses denunciou a existência de uma vala comum com mais de 100 corpos numa mata, na zona limitrofe entre Gorongosa (Sofala) e Macossa (Manica), ao meio ao conflito politico-militar entre o Governo e a Renamo.

A 30 de Abril os governos de Gorongosa e provincial de Sofala negaram a informação, que viria a ser rebatida por mais camponeses, tendo de seguida um grupo de jornalistas descoberto 15 corpos ao abandono, 11 dos quais debaixo de uma ponte, na zona próxima da vala comum.

Em Maio foi criada a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e Legalidade do Parlamento moçambicano, para investigar a denúncia das valas comuns, tendo rebatido a posição do Governo, sobre a iexistência da vala comum, mas reconheceu os corpos encontrados ao abandono.

A 23 de Junho de 2016, a procuradoria provincial de Manica mandou exumar 11 corpos para exames forenses no Hospital Central da Beira.

A exumação ocorreu quase um mês e meio depois da sua sepultura, no mesmo local em que foram encontrados os corpos.

Na mesma ocasião, a Amnistia Internacional (AI) instou Moçambique a investigar de imediato todas as alegações de violação de direitos humanos, sublinhando que as averiguações deverão ser “completas e imparciais”.

Contudo, a comissão parlamentar, criada em Maio para investigar as valas comuns, já havia rebatido a posição do Governo sobre a inexistência das valas, tendo um membro da comissão, pelo MDM (Movimento Democratico de Moçambique), denunciado na ocasião “a conclusão precipitada” do inquérito.

A procuradoria provincial de Manica abriu um processo-crime contra desconhecidos.

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