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Presidente angolano exonera militares de alta patente do seu gabinete


João Lourenço

A medida surge dois meses depois da nomeação da maioria daqueles oficiais

O Presidente angolano afastou altas patentes militares do seu gabinete, a maior parte das quais nomeadas há pouco menos de dois meses, como é o caso do comandante da Guarda Presidencial e do secretário executivo da Casa Militar.

Em decreto de 11 de Junho de 2018, publicado no Diário da República, a que a VOA teve acesso, João Lourenço exonerou os generais Sequeira João Lourenço, do cargo de secretário executivo da Casa Militar, Alfredo Tyaunda, do cargo de comandante da Unidade da Guarda Presidencial (UGP), e António Mateus Júnior de Carvalho, do cargo de secretário para os Assuntos de Defesa e Forças Armadas da Casa Militar.

No mesmo diploma foram ainda exonerados os generais João António Santana e José João, que exerciam os cargos de director-adjunto do Gabinete de Acção Psicológica e Informação (GAPI) da Casa Militar e de comandante da Unidade de Segurança Presidencial, respectivamente.

Os generais Francisco Lombá Dias dos Santos, então secretário para os Assuntos de Interior e Polícia Nacional da Casa Militar, e André Magalhães, que exercia o cargo de comandante-adjunto da Unidade de Guarda Presidencial para a Educação Patriótica, engrossam a lista de 12 altas patentes afastadas da Casa Militar da Presidência da República.

Lourenço exonerou também os generais Marques Correia, do cargo de segundo comandante do Exército e Matias Lima Coelho, do cargo de inspector geral da Defesa Nacional.

Num segundo decreto, João Lourenço nomeou o comissário Carlos Manuel Alves para o cargo de director-geral-adjunto do Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Refira-se que a maioria destes oficiais generais foi nomeada em Abril.

Negócios chumbado

O analista Faustino Mumbica considera de estranha a nomeação e exoneração de altas patentes de um órgão tão nevrálgico como é a Casa Militar, em tão pouco tempo.

Mumbica admite que esteja em causa o processo de criação de um consórcio de aviação civil, que foi abortada pelo Presidente da República.

Informações postas a circular em Luanda em Maio davam conta da constituição de um consórcio público-privado para lançar a Air Connection Express, que pretendia garantir voos domésticos em Angola.

O consórcio teria a participação da TAAG, a Airjet, Air26, Diexim, Mavewa e Air Guicango, Bestfly e a SJL, algumas delas pertencentes a altas patente militares entre as quais o general Sequeira João Lourenço, ora exonerado.

A construtora canadiana Bombardier chegou mesmo a anunciar a 6 de Maio que iria fornecer, por 198 milhões de dólares, seis aviões Q400 para a Air Connection Express, conforme contrato assinado em Luanda, na presença do ministro dos Transportes de Angola, Augusto Tomás.

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