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Poluição mineira provoca 15 mortes em Tete

  • André Baptista

Fonte de água poluida em Cassoca, Moçambique

Moradores apontam o dedo à mineira Jindal

Pelo menos 15 pessoas e dezenas de cabritos morreram nos últimos meses, supostamente de intoxicação alimentar derivada do consumo de água e alimentos poluidos pela actividade de extração de carvão mineral nos distritos do sul da província moçambicana de Tete.

A denúncia foi feita pelos moradores à VOA nesta sexta-feira, 19.

A população, que coabita com minas de céu aberto no sudeste do distrito de Changara, além de Marara e parte do distrito de Cahora Bassa, conta que as mortes estranhas, de pessoas e animais, estão a acontecer desde que nuvens de poeira de carvão mineral, provocadas por explosivos e processamento do carvão pelas mineradoras, invadem rios e casas.

“Houve uma doença, cólera, no ano passado e só ficou afectada a nossa comunidade. Agora são 15 pessoas e muitos cabritos que morreram de doenças que não conhecemos devido a esta exploração de carvão”, disse à VOA um morador de Cassoca, uma área concessionada a firma indiana Jindal.

Cabrito morto devido à poluição mineira, Moçambique
Cabrito morto devido à poluição mineira, Moçambique

A VOA testemunhou na zona fontes de águas turvas pelo mineral, rios poluidos, além de bacias e potes de farinha de milho, a base de alimentos da maioria da população, cobertos de poeira de carvão, e o próprio ar que se respira ser pesado, devido ao cheiro do carvão.

“Há doenças que estão a matar sim. Já temos muitas doenças nesta zona, que nunca tinhamos antes por causa deste carvão. Nuvens de poeiras de carvão entram até dentro da casa toda ora que usam explosivos para explorar carvão”, afirmou Luisa Ernesto, uma moradora da região que perdeu um vizinho na sequência das mortes que atingem a zona.

Outro morador contou que devido às mortes, a população das zonas de Nhantsanga e Chirodzi deixaram de recorrer aos riachos, devido à água turva resultante do processamento mineiro, apesar da enorme carência de água.

“Agora água é um problema. Todos recorremos a um furo, única fonte que ainda tem água não poluída, mas a água fica imprópria nos reservatórios dentro da casa, por causa da poeira, e pensamos que é isto que nos está a matar”, referiu Abel Malunga.

Há três anos a população que vive dentro da concessão da mineira indiana Jindal aguarda desesperada pelo reassentamento, prometido pela empresa e o Governo moçambicano para deixar de coabitar com a exploraçao a céu aberto de minas de carvão.

Ao que apuramos, a mineradora Jindal cobre com uma despesa de dois mil meticais (33 dólares) mensais para a compra de leite fresco ou aluguer de casa, para quem queira abandonar a área concessionada, mas o valor não abrange a toda a população atingida pela situação.

A firma não comentou sobre algumas mortes na sua área de concessão.

A VOA tentou ouvir a direcção provincial de Saúde de Tete, que ainda não reagiu às denúncias da população.

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