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Polícia prende homens com ossadas de albino em Manica

  • André Baptista

As ossadas destinavam-se a um comerciante

A polícia moçambicana em Manica deteve dois homens na posse de várias ossadas humanas de um albino, que pretendiam vender a um comerciante na cidade de Chimoio, a capital de Manica, supostamente para rituais de enriquecimento ilícito.

Um terceiro elemento do grupo conseguiu fugir, informou à VOA nesta quinta-feira, 8, a Polícia.

Elcidia Filipe, porta-voz da polícia de Manica, disse que os homens foram detidos na quarta-feira, 7, no centro da cidade, quando iam fechar o negócio das ossadas, que tinham conseguido num dos distritos da Zambézia, centro de Moçambique.

“As ossadsa, de uma criança albina foram exumadas de um cemitério na Zambézia, e foram transportadas por esses jovens até a cidade de Chimoio, onde viriam a ser vendidas a um valor de quatro milhões de meticais”, frisou Elcidia Filipe, adiantando que investigações da Policia prosseguem para identificar os mandantes do crime.

A polícia não avança os detalhes da morte da criança albina, mas garante que o corpo do menor desapareceu do túmulo, tendo a família emitido uma denúncia a partir da qual a polícia começou a trabalhar na investigação que acabou com a detenção das duas pessoas.

“Continuamos a investigação para esclarecer este caso, apesar de saber que não se tratou de assassinato de uma criança albina, mas a exumação do corpo para a venda de ossadas”, acrescentou Elcidia Filipe, manifestando ainda a preocupação com a segurança das pessoas albinas.

De alguns meses para cá, havia abrandado a “chacina” de pessoas portadoras de albinismo em Moçambique, cujo número de raptos e perseguição caiu significativamente, apesar de continuar a preocupação com a sua segurança.

Dados da Procuradoria-Geral da República de Moçambique indicam que, em 2016, foram abertos um total de 19 processos relacionados com casos de tráfico humano, no geral, dos quais sete tinham como vítimas cidadãos com problemas de albinismo.

Em 2015, dos 38 processos de tráfico humano, 15 tinham relação com albinos, dos quais 10 foram tiveram a acusação formalizada, 3 arquivados e dois ainda estão em instrução nos tribunais.

O rapto, perseguição e assassinatos de pessoas albinos, em Moçambique são motivados por crenças e superstições, segundo as quais essas pessoas são fonte de riqueza.

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