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Polícia prende cidadãos que controlavam manobras em assembleia de voto no Huambo

  • João Marcos

Liberty Chiyaka, secretário provincial da UNITA no Huambo

UNITA acusa o MPLA de querer "ganhar pelo terror"

A Polícia prendeu na quarta-feira, 23 de Agosto, cerca de 40 cidadãos na cidade do Huambo, na sua maioria militantes da UNITA, na sequência de um tiroteio à porta de uma assembleia de voto que estaria a ser controlada por autoridades tradicionais.

No município do Bailundo, palco daquele que é descrito como segundo incidente do dia das eleições, um militante do mesmo partido foi esfaqueado por ter abortado uma tentativa de substituição de actas.

Agentes da Polícia de Intervenção Rápida chegaram ao bairro Cavongue, entre a cidade do Huambo e a centralidade do Lossambo, e dispararam contra cidadãos que fiscalizavam a assembleia onde sobas estariam a substituir as urnas com votos reais.

O relato de quem acompanha o desenrolar dos factos, feito sob anonimato, indica que os cidadãos não quiseram arredar o pé do local mesmo com o encerramento da assembleia.

‘’Alega-se que os sobas estavam a votar ou a encher urnas. A Polícia correu com as pessoas, eram cerca de 50 populares. Tudo acabou em tiros e detenções, com a PIR a prender, durante cerca de duas horas, perto de 40 cidadãos, até quem passava pelas imediações. Os populares, exaltados, atiravam pedras contra o carro da Polícia’’, relata a nossa fonte.

O secretário provincial da UNITA, Liberty Chiaca, esteve no local.

‘’Numa assembleia de voto, o MPLA parece que tinha poucos votos. Então, queriam receber actas e, penso eu, para serem substituídas, e este militante não largou, por isso foi esfaqueado. O secretário da UNITA esteve no local acompanhado pelo 2º comandante da Polícia aqui no Huambo’’, acrescenta Chiaca, que confirmou à VOA que os acontecimentos, próprios do que chama de “pobre democracia”, e garante que apenas sete militantes continuam detidos.

“Do nosso ponto de vista, há uma decisão política para se ganhar através do terror, do medo e da violência. Houve, como se sabe, muito tiro, uma intervenção policial desproporcional’’, refere o líder da UNITA no Huambo, que lembra ‘’horrores’’ da campanha para salientar que a democracia continua pobre.

Mais de 24 horas depois dos incidentes, o intendente Martinho Kativa, porta-voz do Comando da Polícia na província Huambo, diz que ‘’já nada tem a acrescentar’’, sublinhando que a ocorrência foi transmitida a Luanda.

No momento do envio desta peça, o Posto Central da Polícia, criado para as eleições, salientou que não dominava ainda os pormenores de incidentes que não têm sido mencionados nos balanços da Comissão Nacional Eleitoral.

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