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Polícia desactiva clínica caseira e detém médico e enfermeiros falsos em Manica

  • André Baptista

Fármacos fora de prazo

Denúncia partiu do pai de uma criança a quem foram prescritos antirretrovirais para tratar a malária

A Polícia da República de Moçambique (PRM) na província de Manica, desactivou uma clínica clandestina, que operava há 12 anos numa residência na zona de Muda-Serração (Gondola), e deteve um médico e dois enfermeiros falsos, além de apreender grandes quantidades de fármacos, quase todos fora do prazo de uso desde 2015.

A informação foi revela nesta segunda-feira, 24, por Elsídia Filipe, porta-voz do comando da PRM em Manica.

A clinica caseira, com todos os serviços hospitalares, foi encerrada após uma operação da polícia na sexta-feira, 21, depois que um paciente denunciou a prescrição, pelo médico, de antirretrovirais para tratar um filho que estava com malária.

“Um dos clientes dirigiu-se à clínica para adquirir comprimidos para tratamento de malária e chegado lá foi atendido, mas ao invés de receber comprimidos para o tratamento da malária foram entregues antirretrovirais. O paciente estava preocupado porque o filho padecia de malária e fez a denúncia”, disse Elsidia Filipe, porta-voz do comando da Polícia de Manica.

A PRS justifica a operação pelo facto da clinica estar a ser um “verdadeiro atentado público” ao administrar, além de medicamentos fora de uso, linhas de fármacos inadequadas a doenças.

“Em algum momento os indiciados apresentaram uma falsa documentação que data de 2005 que atestava a autorização para operar a clínica, mas depois verificamos que o documento era falso e desde 2005 a clínica nunca foi inspeccionada, o que era suspeito”, frisou Elsidia Filipe.

A operação, por sinal uma das maiores da Polícia, consta, segundo Filipe, de um plano operativo para travar a prescrição, venda e administração de medicamentos nas ruas e ou em clínicas clandestinas, um negócio que resiste às estratégias policiais desde 2011.

Em 2015, a Polícia de Manica, declarou guerra à venda de remédios nos mercados informais, e lançou operações relâmpago para desactivar redes de vendedores e atendimentos clínicos ilegais, mas não tem conseguido deter o circuito, que continua operacional em vários mercados de Chimoio e dos distritos.

Mercado informal sem controlo

Entretanto milhares de moradores da província de Manica compram medicamentos nos mercados informais, alimentando um negócio geralmente assegurado por jovens sem qualificações farmacêuticas e que garantem também o atendimento clinico.

O mercado informal é abastecido por medicamentos desviados do circuito das instituições públicas, geralmente envolvendo profissionais de saúde e farmácias de Chimoio e dos distritos.

Tanto no mercado Feira como no 38 Milímetros, os mais populares de Chimoio, capital de Manica, produtos tradicionais africanos para curar males de amor disputam espaço com o antibiótico tetraciclina, usado para infeções bacterianas, artemisina, paracetamol e quarten, para malária, e canamicina, indicado para certas infecções sexualmente transmissíveis, entre outros.

Alguns destes medicamentos, como a tetraciclina, tiveram o seu uso banido em determinadas situações pela Organização Mundial de Saúde.

Os remédios são vendidos sem obedecer a padrões de transporte, manuseio ou administração e, não raras vezes, são expostos ao sol e à chuva e colocados em contacto com inseticidas para eliminar baratas, mosquitos e ratos.

Sem banca fixa, os vendedores transportam o produto em maletas ou nos bolsos.

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