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Penúria alimentar já faz deslocados e fomenta crimes em Benguela


Um êxodo rural, com centenas de famílias em direcção ao litoral da província angolana de Benguela à procura de sobrevivência, e assaltos a propriedades agrícolas são reflexos de um crescente cenário de penúria alimentar em certas zonas do inerior da província.

Ameaça de fome em Benguela leva a fuga de pessoas para o litoral – 2:13
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Do interior aos municípios da Baía Farta e Catumbela, com percursos acima dos 200 quilómetros, homens, mulheres e crianças aceitam trabalho por um oara um salário nunca superior a oito mil Kwanzas, o valor do programa de transferências monetárias. (Kwenda).

Alguns descrevem isto como trabalho forçado.

Com efeito derrotadas pela falta de chuvas, várias famílias deixam municípios como a Ganda e Chongoroi, os dois eleitos para fase inicial deste programa de combate à fome e pobreza na província de Benguela.

‘’É muita fome porque não chove, estamos aqui desde Dezembro. Pagamos as famílias por causa da fome’’, disse um adolescente

já na comuna do Dombe Grande (Baía Farta), em declarações à Emissora Católica.

Outro município que regista fuga de cidadãos é o Cubal. Comforme o líder comunitário João Tchiteculo.

‘’Tudo o que as pessoas tinham como esperança, como o milho, secou, tudo secou”, disse.

“ Nos quimbos, principalmente, há mesmo populares que já não têm nada para comer, muita gente já faz o trabalho forçado’’, explica o munícipe.

Tchiteculo refere que ‘’é um caso sério, as autoridades não dizem nada e as pessoas perguntam como será nos próximos meses’’.

Nada que surpreenda o produtor José Cabral Sande, que já previa um êxodo rural e que disse que “daqui a mais dias menos dias veremos estas comunidades da Ganda, Cubal, Caimbambo e Chongoroi em disputa de comida nos contentores de lixo’’, isse Sande.

Outro sinal de penúria alimentar, segundo o empresário Paulo Neves, são assaltos a fazendas agrícolas.

‘’Quando há esta fome, infelizmente, as propriedades agrícolas viram armazéns”, disse. “Este ano nem sequer consigo tirar mangas para comer em casa, porque grupos de 15 a 20 miúdos atiram pedras aos guardas, entram e roubam’’, conta o agricultor.

O Governo Provincial de Benguela, com armazéns desfalcados, sem programas para acudir famílias vulneráveis, já fez saber que está à espera de Luanda para fazer face a focos de pobreza na região.

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