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Partidos guineenses condenam rapto e espancamento de jornalista e sociedade civil pede demissões no Governo


Antonio Aly Silva, jornalista e bloguista guineense

De todos os quadrantes políticos a condenação é unânime, mas Presidência, Governo e PGR mantêm o silêncio

O rapto e espancamento do jornalista António Aly Silva na terça-feira, 9, teve uma condenação praticamente unânime na Guiné-Bissau, tanto da parte de organizações da sociedade civil como dos partidos políticos.

Em entrevista à VOA, o editor do blog Ditadura de Consenso, apontou o dedo ao Presidente da República de ser o responsável pelo ataque.

“O Presidente da República autoproclamado porque a única pessoa a ameaçar-me é ele, e quando acontece uma coisa temos de virar para o foco da ameaça”, afirmou Silva que, no entanto, garante que vai manter-se no país.

Até agora, e apesar dos esforços feito, a Presidência da República, o Governo e a Procuradoria-Geral da República não se pronunciaram.

No entanto, a Liga Guineense dos Direitos Humanos, que denunciou o ataque na terça-feira, foi a primeira organização a condenar “com firmeza este acto criminoso” e exigiu “das autoridades nacionais a abertura de um inquérito urgente com vista à identificação e tradução à justiça dos autores deste acto hediondo”.

O Espaço de Concertação, que junta 23 organizações da sociedade civil, em comunicado divulgado nesta quarta-feira, 10, exigiu a “responsabilização e exoneração dos titulares da pasta do Ministério do Interior e da Ordem Pública por falta de capacidade para garantir a segurança dos cidadãos guineenses”.

Eles pediram também a “demissão do Procurador-Geral da República, pela consequente inação e incapacidade de produzir ações que contribuam para o primado da lei em benefício da impunidade”.

Ainda na nota, aquelas organizações exigiram ao Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, para “garantir a paz, segurança e unidade nacional” e alertaram a comunidade internacional para a “situação periclitante que o país vive nos últimos tempos, com cíclicas violações dos direitos humanos, nomeadamente o rapto e espancamento de cidadãos guineense, num ambiente de terror e impunidade”.

Partidos políticos unânimes

No campo político, o Movimento para a Alternância Democrática da Guiné-Bissau (Madem-G15), segundo partido mais votado nas eleições de 2019, que apoiou a campanha de Úmaro Sissoco Embaló e integra o Governo, condenou “com veemência o ocorrido e apela para o respeito dos direitos nobres, como liberdade de expressão e informação, direito à vida e integridade física dos cidadãos e segurança".

O partido, liderado por Braima Camará, pediu também ao Ministério Público para que proceda "à devida investigação para apurar responsabilidades".

O PRS, também do arco do poder e terceira força mais votada, disse em comunicado que “seja quais forem as motivações, tal como no passado, o PRS não deixa de condenar veementemente actos de justiça privada, iniciativas que, aliás, não se enquadram nos ideais que enformam a nossa filosofia política e muito menos o ideário político advogado pela grande família Internacional Centrista, da qual fazemos parte".

Na oposição, o PAIGC, partido mais votado nas eleições de 2019, escreveu em comunicado horas depois do ataque a Aly Silva que “repudia e condena, veementemente, mais um acto cobarde e bárbaro, perpetrado pelos actuais detentores do poder na Guiné-Bissau, que, disfarçados em esquadrões de rapto e espancamentos, têm estado a incitar o uso da violência contra cidadãos indefesos, atos que podemos classificar de autêntico terrorismo de Estado".

O partido considerou "inqualificável e intolerável" que num Estado de Direito democrático "persistam actos de perseguição aos cidadãos que somente têm exercido uma das liberdades fundamentais, consagradas na Constituição e nas leis da República, nomeadamente liberdade de expressão".

A União para a Mudança, também na oposição, afirmou estar profundamente indignada com os repetidos actos ignóbeis de sequestro e espancamento perpetrados por um grupo fardado e armada, instrumentalizado por forças ocultas e cobardes sobre cidadãos indefesos” e condenou “veementemente a agressão.

Por sua vez, reunida de emergência para analisar o rapto e espancamento do veterano jornalista guineense, condenou com "veemência o rapto e o espancamento do cidadão, jornalista e bloguista António Aly Silva" e exigiu às "autoridades a adoção de medidas urgentes e apropriadas com vista à descoberta dos autores deste hediondo acto”.

Classe reforça apoio ao jornalista

A Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau e o Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social condenaram o acto e pediram que os seus autores sejam levados à justiça, lembrando que este caso é mais um de outros contra activistas e a imprensa no país no último ano.

A Associação de Jornalistas de Cabo Verde também repudiou o ataque, pediu a intervenção dos órgãos da classe e prometeu apoiar Silva, junto de organizações internacionais da classe.

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