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Jornalistas cabo-verdianos solidarizam-se com colega guineense raptado e agredido


António Aly Silva, jornalista e blogueiro guineense, espancado por desconhecidos

António Aly Silva revela detalhes do seu rapto e espancamento

A Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) manifesta a sua solidariedade ao jornalista guineense António Aly Silva, raptado e agredido em Bissau e promete apoiar o editor do blog Ditadura de Consenso.

“A AJOC condena qualquer violência e agressão contra jornalistas onde quer que se encontrem”, lê-se no comunicado publicado pela AJOC na sua página no Facebook, nesta terça-feira, 9, no qual sublinha que “quando um jornalista é espancado como foi o António Aly é a democracia que sangra e fenece”.

“O Sindicato dos Jornalistas de Cabo Verde tem emprestado a sua voz na condenação de todo e qualquer acto de violência contra jornalistas, e exigido, em sintonia com a Federação Internacional dos Jornalistas, da União dos Jornalistas Africanos e da Federação dos Jornalistas de África, assim como da Federação dos Jornalistas da CPLP, que se ponha um fim à impunidade nessa sanha predadora e desenfreada contra os jornalistas”, afirma a organização que estende “toda a solidariedade da direcção da AJOC e de todos os jornalistas cabo-verdianos ao António Aly”.

O órgão diz esparar “um posicionamento célere e destemido” por parte do Sindicato dos Jornalistas da Guiné-Bissau e da Ordem dos Jornalistas.

O comunicado do sindicato dos profissionais de comunicação de Cabo Verde, que é ilustrado com uma foto de António Aly Silva ensanguentado, conclui que “desempenhará, como sempre fez, o seu papel na defesa intransigente da liberdade de imprensa e da integridade física e moral dos jornalistas, independentemente de serem cidadãos cabo-verdianos ou não, ou de serem ou não membros da AJOC”.

Raptado e espancado

O jornalista conta no seu blog ter sido raptado às "14:08 h em frente à EAGB por quatro homens armados de AK47 e aos gritos".

“Sai do carro, senão disparamos!!! Sai, sai, vamos disparar”. Ver o cano de AK’s 47 apontados ao teu peito, deixa qualquer um desnorteado”, escreve o jornalista acrescentando que foi “levado para o Alto Bandim, depois espancado e deixado desmaiado” até que quatro boas almas, que assistiram a tudo ao longe, o resgataram”.

“Vamos matar-te hoje. A nossa missão é raptar e espancar”. E lá me levaram. Não tenho ódio das pessoas que me deixaram neste estado. Tenho, pelo contrário, pena deste país e do seu povo que nem faz ideia do que aí vem...”, afirma António Aly Silva.

A denúncia

A denúncia do rapto e espancamento do jornalista foi tornada pública pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) em comunicado na sua página de Facebook.

“A Guiné-Bissau é um Estado de Direito Democrático onde a liberdade de expressão e de informação constitui a trave mestra, sendo que qualquer delito resultante do exercício desse direito fundamental deve ser processado nos termos das leis vigentes no país”, escreveu a Liga que “condena com firmeza este acto criminoso e exige das autoridades nacionais a abertura de um inquérito urgente com vista à identificação e tradução à justiça dos autores deste acto hediondo”.

A LGDH disse ter contactado as autoridades policiais que afirmaram desconhecer as circunstâncias que rodearam "este acto criminoso".

António Aly Silva é um forte crítico do Presidente Úmaro Sissoco Embaló e do actual regime.

Antes, foi um colaborador próximo do presidente do PAIGC e antigo primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, e trabalhou para jornais estrangeiros, além de manter o seu blog dedicado à actualidade guineense.

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