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Oposição angolana pede diálogo com o Presidente da República para aliviar tensão no país


João Lourenço, Presidente angolano, em entrevista a cinco meios de comunicação, Angola, 6 de Janeiro de 2021

Pedido foi feito pelos grupos parlamentares da oposição

Os partidos da oposição em Angola pedem um diálogo com o Presidente João Lourenço para travar os níveis de tensão política que o país já vive em ano eleitoral.

Oposição angolana pede reunião com João Lourenço – 2:27
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Os grupos parlamentares da UNITA e da CASA-CE, as representações parlamentares do PRS e da FNLA e deputados sem partidos reuniram-se no fim-de-semana para fazer esse pedido, no momento em que, dizem, o país observa uma escalada de tensão.

Este posicionamento surge, principalmente, depois dos acontecimentos da passada segunda-feira, 10, no bairro Benfica, em Luanda, quando foram incendiados uma sede do MPLA e um autocarro do Ministério da Saúde.

Liberty Chiyaka, líder parlamentar da UNITA
Liberty Chiyaka, líder parlamentar da UNITA

Liberty Chiyaka, líder do grupo parlamentar da UNITA, em nome das várias representações parlamentares que formalizaram o pedido, afirma que quanto mais cedo acontecer este encontro melhor para a estabilidade que o país precisa.

“Estamos aqui no interesse nacional, para cooperarmos e dialogarmos com o partido que governa, queremos sentar com o Presidente da República, queremos dialogar com a liderança do MPLA, é o país que está em causa e não os nossos orgulhos pessoais ou de grupos, nós só queremos uma coisa: realizar Angola", reitera Chiyaka.

Alexandre Sebastião André, líder parlamentar da CASA-CE
Alexandre Sebastião André, líder parlamentar da CASA-CE

Alexandre Sebastião André, chefe da bancada parlamentar da CASA-CE, acentua que “onde não existe diálogo naturalmente haverá conflito porque se nós exteriorizamos poderemos corrigir as coisas e aqueles que estão no poder, se tiverem ouvidos, naturalmente vão corrigir” e alerta que “sem este diálogo é quase impossível haver paz, sossego e estabilidade".

Por seu lado, o deputado na FNLA Lucas Ngonda assegura que todos estão condenados a conviver juntos porque o país é apenas um e há que dialogar para “construirmos um país próspero, já que é o nosso berço e também a nossa sepultura".

Lucas Ngonda, deputado da FNLA
Lucas Ngonda, deputado da FNLA

À espera de João Lourenço

Ante este pedido, ainda sem qualquer resposta do Presidente da República, o analista político Manuel Kangundo diz que "conhecendo bem o Presidente que temos, não acredito que João Lourenço venha a ceder a este apelo, mas também eu acredito ser a única maneira para poder travar o nível de violência que já começou”.

Ele reitera que “é importante que João Lourenço assuma o seu papel de chefe de Estado e coloque de parte a de chefe do partido que governa, se isto não ocorrer, a julgar pela forma como se desenha o cenário, poderemos ter cenários piores”.

Kangundo ainda alerta que pela “forma como a comunicação social se posiciona com a TPA à cabeça há um perigo iminente para o país".

Distúrbios e acusações

No dia 10, no arranque de uma greve de taxistas em Luanda, cidadãos atearam fogo na sede distrital do MPLA em Benfica e num autocarro do Ministério da Saúde, alegadamente em protesto contra a falta de meio de transportes.

O Presidente, na abertura da reunião do Conselho de Ministros, na quarta-feira, 12, disse que aqueles distúrbios respondiam a um macabro plano de ingovernabilidade com marcas conhecidas.

“O que ocorreu na segunda-feira foi um verdadeiro acto de terror cujas impressões digitais deixadas na cena do crime são bem visíveis e facilmente reconhecíveis, e apontam para a materialização de um macabro plano de ingovernabilidade através do fomento da vandalização de bens públicos e privados, incitação à desobediência e à rebelião, na tentativa da subversão do poder democraticamente instituído”, afirmou João Lourenço, depois de, no dia dos distúrbios, o secretário provincial do MPLA em Luanda, Bento Bento, ter pedido “esclarecimentos” à UNITA.

Em resposta, o secretário provincial e deputado da UNITA, Nelito Ekuikui, afirmou que o Presidente da República “devia focar-se na sua governação ao invés de procurar bodes expiatórios”.

Ekukui criticou ainda a inércia da polícia e disse que tudo pode ter sido uma "cabala política" do regime para incriminar o seu partido.

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