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Odebrecht ajudou ex-generais angolanos a tornarem-se empresários

  • Redacção VOA

José Eduardo dos Santos fez o pedido ao dono da Odebrecht

A revelação é do homem-forte da Odebrecht que diz ter respondido a um pedido de José Eduardo dos Santos

O Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, pediu a Emílio Odebrecht, um dos donos do Grupo Odebrecht, que a empresa brasileira auxiliasse os ex-generais do país a se tornarem empresários.

O pedido do Chefe de Estado de Angola foi relatado por Emílio Odebrecht à Procuradoria Geral da República (PGR) do Brasil no âmbito da operação Lava Jato.

O objetivo do pedido, explicou, seria evitar que os antigos comandantes militares angolanos "viessem a perturbar a estabilidade política" do Governo.

"O Presidente também pediu que apoiássemos o desenvolvimento de programas para alguns dos seus ex-generais e como poderíamos ajudar a transformá-los em empresários para que tivessem uma ocupação e não viessem a perturbar a estabilidade do seu Governo em Angola", relatou Emílio Odebrecht.

O empreiteiro afirmou ainda que, diante da solicitação presidencial, a Odebrecht actuou, por meio de associações e sociedades com os ex-generais, nas quais a empresa transferia know-how aos novos sócios.

Em contrapartida, “os militares angolanos entravam com o capital necessário para tirar o negócio do papel”.

"Essas associações, sem a menor sombra de dúvida, é um dos factores que favorecem também o tratamento diferenciado da organização [Odebrecht] em Angola", reconheceu o empresário, lembrando que a empreiteira mantém relações comerciais com Angola desde os anos de 1970.

Odebrecht revela relacionamento privilegiado com PR angolano
Odebrecht revela relacionamento privilegiado com PR angolano

Emílio Odebrecht revelou ainda que, desde 1984, tem um “canal directo de comunicação” com José Eduardo dos Santos, com quem se reúne anualmente para prestar contas dos projectos da construtora em andamento no país e também para negociar novos empreendimentos.

Segundo o empreiteiro, ele trata pessoalmente das demandas de José Eduardo dos Santos.

Odebrecht afirmou que o bom relacionamento com o Presidente de Angola manteve-se, especialmente, porque a empresa sempre conseguiu atender "com qualidade e no prazo os desafios constantemente impostos" pelo chefe de Estado angolano.

Ele revelou ainda que a empreiteira influenciou, inclusive, na assinatura, em 1992, do acordo de paz que pôs fim a uma sangrenta guerra civil que durou 16 anos e deixou cerca de 300 mil mortos.

À época, contou o empresário brasileiro, a Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a pedir apoio logístico da Odebrecht em Angola para as tropas da missão de paz.

Emílio Odebrecht é um dos 77 executivos da construtora que chegaram a acordo com a justiça brasileira para, no âmbito da operação Lava Jato, revelar o esquema de corrupção entre empresas e órgãos públicos em troca de redução de penas.

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