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O simbolismo e a substância da cimeira Trump-Kim


Kim Jung-un e Donald Trump

Tudo por resolver após a assinatura de um comunciado conjunto

Cimeiras entre Chefes de Estado são sempre uma combinação de simbolismo e substância.

No caso do encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un o simbolismo não é difícil de ver: O Presidente americano fez uma longa viagem para se encontrar com o dirigente de um país totalmente isolado no mundo e descrito como um dos piores, senão o maior violador dos direitos humanos no mundo.

Kim Jong-un, por seu turno, suspendeu os seus testes nucleares e de mísseis e escolheu a via da diplomacia, o que simboliza também a mudança que apanhou o mundo de surpresa.

Mas se ninguém duvida do simbolismo do encontro já em termos de substância é claro que o comunicado final, de apenas uma página, é sómente o primeiro passo num processo que se apresenta como árduo e que visa a desnuclearização da península coreana.

O documento não especificou passos ou um calendário para esse propósito.

Trump anunciou posteriormente que os Estados Unidos concordaram em suspender exercícios militares na península coreana e a Coreia do Norte anunciou que tinha eliminado um complexo de testes de misseis.

Talvez, de forma surpreendente, uma das criticas veio do professor Cheng Xiaohe da Universidade Remin na China que disse que o acordado ficou “abaixo das minhas expectativas”.

“Conversas vazias repetindo o que já foi dito”, disse o professor citado pelo Washington Post

Outra crítica veio do director da Associação de Controlo de Armas Kelsey Davenport que disse ao mesmo diário que “Trump está centrado na imagem da cimeira, não na substancia”.

Davenport descreveu o encontro como “uma reunião histórica com uma conclusão medíocre, acrescentando que há apenas “uma vaga promessa de desnuclearização”.

O Presidente Trump rejeitou as criticas num tweet em que coloca em causa o que chamou de “os que odeiam e perdem sempre” de quererem minimizar a importância e o sucesso do encontro

“Temos os nossos reféns, os testes, investigação e lançamento de mísseis pararam,” disse o Presidente que acrescentou: “Esses analistas desde o começo que disseram que eu estava errado e não têm mais nada a dizer. Vai tudo correr bem”.

Trump reconheceu posteriormente numa conferência de imprensa que há muito trabalho a fazer porque a cimeira foi apenas "o começo de um processo árduo".

"Os nossos olhos estão bem abertos quanto a isso, mas a paz vale sempre o esforço, especialmente neste caso. Isto deveria ter sido feito há muitos anos. Isto deveria ter sido resolvido há muito tempo mas estamos agora a resolver esta questão", disse Trump.

Em entrevista à VOA, ele garantiu que “vamos desnuclearizar a Coreia do Norte".

Pouco tempo da cerimónia de assinatura do comunicado final, Kim Jong-un falou em mudanças.

Tivemos um encontro histórico e vamos deixar o passado para trás. Vamos assinar este documento histórico", garantiu, para que acrescentar que "o mundo vai ver grandes mudanças"

A historiadora Margaret McMillan, que escreveu um livro sobre as relações entre a China e os Estados Unidos, recordou a surpreendente viagem que o Presidente Nixon fez à China para iniciar as relações diplomáticas entre os dois países.

Ela disse que ao Washington Post que essa viagem foi feita com muito mais incertezas que este encontro.

Analistas concordam que há uma viragem no método deste tipo de negociações.

Presidente americano falou à VOA sobre a cimeira e sobre o que ele espera daqui para frente
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Em termos tradicionais, começa-se de baixo para cima, que começa com um processo de negociações sobre todas as questões que serão analisadas, depois, a uma cimeira final.

Neste caso, Trump decidiu começar do topo e agora o processo vai seguir a níveis mais baixos.

Entretanto, se é verdade que há um desanuviamento regional tudo permanece por resolver.

Só o futuro dirá se o encontro de hoje é o começo de um novo dia ou foi apenas uma falsa madrugada.

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