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Novo estudo da OMS revela que uma em três mulheres sofre violência física ou sexual


Situação pode ter piorado durante a pandemia

Um terço das mulheres no mundo sofrem violência física ou sexual ao longo da vida, uma realidade que pode, no entanto, ter piorado com a pandemia da Covid-19.

O resultado é de um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado nesta terça-feira, 9, que alerta que este número é equivalente a 736 milhões de vítimas.

O ciclo da violência começa cedo na vida das mulheres, sendo que uma em cada quatro adolescentes e jovens, entre 15 anos e 24 anos, que esteve num relacionamento, já sofreu violência de um parceiro íntimo.

O estudo mostra que o parceiro íntimo, aliás, é o principal agressor quando se fala em violência contra as mulheres: das 736 milhões de vítimas que sofrem com o problema, 641 milhões delas são agredidas e violentadas pelo próprio marido, namorado ou companheiro. Ou seja, 26% de todas as mulheres com 15 anos ou mais, foram vítimas de violência por seus parceiros.

No que diz respeito à violência sexual, seis por cento das mulheres a nível global relatam ter sido abusadas sexualmente por alguém que não seja parceiro íntimo.

Números podem ser piores

Aliás, a OMS alerta que devido ao elevado nível de estigma e subnotificação de abuso sexual, o número real provavelmente é "significativamente mais alto".

"A violência contra as mulheres é endémica em todos os países e culturas e prejudica milhões de mulheres e suas famílias", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da organização, quem acrescentou ser responsabilidade dos Governos e comunidades melhorar o acesso a oportunidades e serviços para mulheres e meninas.

Apesar dos "dados alarmantes", a OMS destaca que analisou o período entre 2000 e 2018, não incluindo os anos da pandemia.

"A OMS e parceiros alertam que a pandemia da Covid-19 aumentou ainda mais a exposição das mulheres à violência", afirmou a organização, explicando que os confinamentos aumentaram a exposição das mulheres ao seus agressores dentro de casa e a crise gerada pela pandemia afetou serviços de proteção e acolhimento das vítimas.

O documento também afirma que as dificuldades financeiras, o estresse de ter os filhos em casa, o aumento do trabalho doméstico e outros problemas criados pela pandemia podem levar ao aumento da violência.

Embora o nível de violência contra a adolescentes e mulheres "seja muito elevado em todos os lugares", dados da OMS mostram que os países pobres tendem a experimentar níveis mais elevados de violência do que os países mais ricos.

A Oceania é a região mais afectada pela violência contra a mulher, com 51% das mulheres entre 15 e 49 anos a serem vítimas deste tipo de abuso, enquanto o sul da Europa apresenta a menor taxa, com 16% de vítimas no mesmo grupo etário.

Claudia García Moreno, uma das autoras do relatório, esclareceu que embora no momento não haja dados sólidos, a pandemia, que obrigou centenas de milhões de pessoas à reclusão e causou uma crise económica global, tem tido um impacto claramente negativo.

"Sabemos que a situação de muitas mulheres provavelmente piorou", sublinhou aquela especialista, lembrando, no entanto,que “as mulheres que já sofriam abusos foram apanhadas nesta situação (porque), de repente, viram-se mais isoladas e continuamente na presença do parceiro abusivo".

O relatório é o segundo do tipo e baseia-se em dados recolhidos entre 2000 e 2018.

No entanto, a OMS alerta que uma mudança na metodologia dificulta as comparações com um primeiro artigo sobre o assunto publicado em 2013.

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