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Nova onda de ataques contra imigrantes na África do Sul

  • Simião Pongoane

Obian Kenneth, imigrante nigeriano, teve carro queimado, Rosenttenville, África do Sul

Nigerianos atacados em Rosenttenville alegadamente por serem traficantes de drogas e promoveram a prostituição

Cidadãos sul-africanos decidiram fazer justiça pelas próprias mãos destruindo casas, carros e estabelecimentos comerciais de emigrantes africanos em Rosenttenville, o sul de Joanesburgo, numa alegada guerra contra suspeitos traficantes de droga e promotores de prostituição.

O presidente da cidade de Joanesburgo, Herman Mashaba, evita condenar a justiça popular e defende a deportação de todos os emigrantes ilegais para seus países de origem por acreditar que são promotores da criminalidade na chamada “cidade de ouro”.

O ambiente está muito tenso, mas calmo em Rosettenville, depois de a policia ter reforçado a segurança com unidades de patrulha.

Entretanto, este reforço não foi suficiente para salvar os bens do emigrante nigeriano Obian Kenneth, que teve acasa e o carro queimados.

O emigrante é suspeito de ser traficante e vendedor de drogas e de usar sua residência como bordel, mas ele desmente e diz que não sabe qual é o problema de fundo entre sul-africanos e nigerianos, porque não é traficante de drogas e nem promotor de prostituição.

“Não lido com drogas, esse não é meu negócio”, diz Kenneth que vende roupas.

A escassas centenas de metros da residência arrendada de Obian vivem outros cinco emigrantes nigerianos, cuja casa foi igualmente queimada por residentes locais.

Para o chefe do grupo, a destruição dos seus bens a fogo posto é uma clara manifestação de xenofobia contra emigrantes africanos, sobretudo nigerianos.

No entanto, nem ele nem Obian apresentaram queixas à policia, alegando que os agentes da corporação são coniventes.

O emigrante moçambicano residente no mesmo bairro, Mussa Ussene, considera que a população local está a vingar-se contra a venda de droga e prostituição.

Dados oficiais indicam que o consumo de droga na África do Sul é duas vezes superior ao consumo considerado normal a nível mundial.

Pelo menos 15 sul-africanos em cada 100 habitantes têm problemas de consumo de droga, o que custa ao país 20 mil milhões de randes por ano, cerca de 1,5 milhão de dólares.

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