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Morreu Maria Velho da Costa, prémio Camões 2002


"O Amante do Crato" livro de Maria Velho da Costa

A literatura lusófona perdeu no sábado, 23, uma das suas maiores referências, a escritora portuguesa Maria Velho da Costa, conhecida combatente pela liberdade durante o fascismo português.

Ela foi Prémio Camões de 2002, o principal galardão da literatura em todos os países de língua portuguesa.

Maria Velho da Costa começou por destacar-sa na década de 1960, e é considerada uma das renovadoras da literatura portuguesa desde então, com obras de destaque como "Maina Mendes" (1969).

Em 1972, Maria Velho da Costa foi uma das coautoras das "Novas Cartas Portuguesas" (1972), uma obra literária que denunciou a repressão e a censura do regime do Estado Novo, que exaltava a condição feminina e a liberdade de valores para as mulheres, e que valeu às três autoras um processo judicial, suspenso depois da revolução de 25 de abril de 1974.

O livro, escrito juntamente com Maria Teresa Horta e Mara Isabel Barreno, levou a que as autores passassem a ser referenciadas com “as três Marias”.

Aliás, ao reagir à morte da escritora, o primeiro-ministro português, António Costa, escreveu numa rede social que “Maria Velho da Costa foi uma das “Três Marias” que ousaram reclamar, para as mulheres, a liberdade que lhes era devida. Sendo, ao mesmo tempo, manifesto e obra literária, Novas Cartas Portuguesas inscreve Portugal na história da luta pelos direitos das mulheres”.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de Portugal
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de Portugal


O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, “numa homenagem a uma obra invulgar e memorável”, segundo ele, disse que “poucos ficcionistas portugueses contemporâneos escreveram livros tão cultos e inventivos, tão exigentes e insubmissos”.

Nascida em Lisboa, em 1938, Maria Velho da Costa faria 82 anos no dia 26 de junho.

No percurso literário, Maria Velho da Costa foi amplamente premiada.

Além do Prémio Camões, antes, em 1997, recebeu o Prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da obra literária, com o romance "Lúcialima" (1983) recebeu o Prémio D. Diniz, e o romance "Missa in albis" (1988) foi Prémio PEN de Novelística.

O último romance que publicou, "Myra" (2008), valeu-lhe o Prémio PEN Clube de Novelística, o Prémio Máxima de Literatura, e o Prémio Literário Correntes d'Escritas.

Em 2013 recebeu o Prémio Vida Literária, da APE, tendo proferido na altura uma frase que, segundo muitos, resume a sua vida: "Os regimes totalitários sabem que a palavra e o seu cume de fulgor, a literatura e a poesia, são um perigo. Por isso queimam, ignoram e analfabetizam, o que vem dar à mesma atrofia do espírito, mais pobreza na pobreza",

Maria Velho da Costa foi adjunta do secretário de Estado da Cultura em 1979, adida cultural em Cabo Verde (1988-1991) e integrou a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

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