Links de Acesso

Moçambique: Ministro da Saúde diz estar a satisfazer reivindicações dos profissionais que mantêm greve


Moçambique, Hospital Central da Beira. O Ministério da Saúde está sem dinheiro para reabilitar todo o edifício do Hospital. Maio 19, 2014
Moçambique, Hospital Central da Beira. O Ministério da Saúde está sem dinheiro para reabilitar todo o edifício do Hospital. Maio 19, 2014

Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique acusa as autoridades de "assédio moral e intimidações"

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique acusa as autoridades de "assédio moral e intimidações" durante a greve da classe que começou no dia 29 de abril e que terá a duração de um mês e de recusar pagar as horas extraordinárias.

Entretanto, também nesta segunda-feira, 6, o ministro da Saúde informou que 60 mil profissionais do setor já foram reenquadrados e que o pagamento de horas extraordinárias em atraso aos funcionários está a ser feito.

"Estamos atónitos com o assédio moral e intimidações. Coagem os profissionais para ir trabalhar sob ameaça de marcação de faltas, abertura de processos disciplinares, chamadas para reuniões e transferências para locais longínquos", disse o presidente da APSUSM, quem reiterou que a greve, que tem uma adesão de 90% dos profissionais de saúde, “vai-e manter”.

Em conferência de imprensa em Maputo, Anselmo Muchave explicou que durante a primeira semana da greve os profissionais de saúde voltaram à mesa de negociações com o Governo, que, segundo ele, recusou aceitar as revindicações, como a fornecer material médico e melhoria das condições de trabalho.

"Prevalece também a recusa em fornecer um pagamento justo aos trabalhadores, pagando na totalidade as horas extras referentes a 2023, bem como subsídios de risco e turno", acrescentou Muchave, quem revelou que 327 pacientes morreram nas unidades sanitárias do país, na sua maioria crianças, por dificuldades de assistência médica.

"Há mais casos de crianças, mas também adultos com doenças graves e crónicas, casos de pacientes que deviam fazer cirurgia ou que sofreram acidentes. Há também mortes por falta de atendimento", disse aquele líder responsável.

Muchave acusou ainda diretores clínicos de coagir os profissionais de saúde para suspender a greve e regressarem aos postos de trabalho e advertiu que "caso o nosso apelo não seja respondido, seremos obrigados a suspender na totalidade esses serviços mínimos”.

Também hoje, em Maputo, o ministro da Saúde disse que 60 mil profissionais do setor já foram reenquadrados e que o pagamento de horas extraordinárias em atraso aos funcionários está a ser resolvido.

Armindo Tiago afirmou que o Governo também está a pagar os subsídios de turno "de forma progressiva", em razão do elevado número de profissionais envolvidos e que "haverá erros que serão corrigidos de forma paulatina".

"Estamos a reabilitar unidades sanitárias como o Hospital Provincial de Xai-Xai (...), o Hospital Geral de Mavalane e o Hospital Geral José Macamo. Estamos a construir novas unidades sanitárias. Para nós o processo de melhoria de condições de trabalho é contínuo", sublinhou Tiago.

O ministro conluiu que “a melhoria das condições de trabalho não é apenas uma etapa, é um processo dinâmico, e nós achamos que o Governo está a dar soluções aos assuntos de forma paulatina".

A greve está prevista para terminar a 29 de maio, caso as partes não cheguem a acordo.

Fórum

XS
SM
MD
LG