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Moçambique: Empresas de combustíveis clamam por aumento dos preços ou não haverá produtos dentro de dias


Filas em bomba de gasolina, na capital moçambicana, Maputo. Moçambique, Janeiro 2017

Empresas petrolíferas que operam em Moçambique dizem estar a ficar sem capacidade para importar combustíveis devido aos preços baixos praticados no país, face ao aumento dos preços que se regista no mercado internacional, ao qual se acrescenta a dívida de cerca de 120 milhões de dólares que o Estado tem para com elas.

E pedem um reajuste dos preços que, no entanto, poderá agravar o custo de vida em Moçambique.

Michel Amade, presidente da Associação Moçambicana de Empresa Petrolíferas (Amepetrol) disse em conferência de imprensa em Maputo que o aumento do preço do barril de petróleo para a casa dos 110 dólares faz com que a estrutura de preços de combustíveis no país esteja desajustada com a que é praticada na região.

“Uma viatura que abastecer gasóleo em Ressano Garcia e atravessar cruzar para Komatipoort estará a pagar em Moçambique 19.89 meticais a menos, isto quer dizer que o preço em Moçambique está desajustado para aquilo que deveria ser o preço internacional”, sustentou Amade para depois acrescentar que “da comparação que nós realizamos entre sete países da região, como Tanzania, Eswatini, África do Sul, Zâmbia, Zimbabwe e Quénia, Moçambique é o país com o produto mais barato nos postos de abastecimento”.

A Amepetrol já fez as contas e sabe que o preço pode ser muito elevado, segundo o seu presidente, mas a situação actual pode levar a que alguns operadores do sector não tenham capacidade para a importação de combustíveis.

Moçambique: Amepetrol quer aumento dos combustíveis
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Danilo Correia, da Puma Energy Moçambique, avisa também que a situação agrava-se ainda mais devido à crescente dívida que o Governo tem para com estas empresas, num valor que está entre os 100 e os 120 milhões de dólares.

“O preço actual do mercado não está alinhado com o custo do produto, e isso cria com que as empresas tenham contas a receber, no caso a dívida do Governo moçambicano tem com as gasolineiras, que não é recente e se agrava com a situação actual internacional”, aponta Correia.

Muito recentemente, o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, admitiu a possibilidade de revisão em alta do preço dos combustíveis.

“Há discussões com as gasolineiras com vista a encontrar formas de mitigação, mas dependendo da evolução pode ser que tenhamos que fazer mais um ajustamento que é para evitar ou garantir a continuidade do fornecimento dos combustíveis à Moçambique”, disse Tonela.

A provável subida dos preços é uma situação que poderá sufocar ainda mais o custo de vida no país com aumento em cadeia dos preços dos bens e serviços, a começar pelo transporte.

Apesar de alertarem que o mês de Maio pode ser difícil, as empresas petrolíferas garantem a existência de combustíveis para cerca de 20 dias para gasolina e 15 dias para o gasóleo.

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