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Moçambique: "Aquele que rouba uma galinha é que fica na cadeia”


Sem vontade política, o país não vai combater a corrupção, consideram analistas

A opinião pública defende medidas mais rigorosas e mais fortes para que o combate à corrupção registe avanços em Moçambique, país que, segundo o Índice de Percepção de Corrupção da Transparência Internacional, em 2021, subiu apenas um ponto, somando 26, numa escala de 0 a 100.

A subida de um ponto na classificação, na opinião de cidadãos ouvidos pela VOA, significa que em 2021, em Moçambique, praticamente não aconteceu nada relativamente à luta contra a corrupção, à excepção do início do julgamento das dívidas ocultas.

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"Sem medidas rigorosas, Moçambique não vai avançar no combate à corrupção", defende Carlos Manuel, 49 anos e carpinteiro de profissão, para quem, "aquele que rouba uma galinha é que fica na cadeia, mas aqueles que roubam milhões de meticais ficam um mês e depois saem".

Para Luís da Conceição, antigo operador turístico na zona de Macaneta, província de Maputo, em 46 anos de independência, um dos maiores entraves ao desenvolvimento de Moçambique foi a corrupção, " e isso é uma vergonha, porque não há escolas, não há estradas e uma estrutura da qual as pessoas se possam orgulhar".

Vontade política

O jurista e deputado da Assembleia da República pela bancada da Renamo, José Manteigas, entende que a falta de uma justiça séria e credível não ajuda no combate à corrupção, realçando, no entanto, que tudo se deve à falta de vontade política.

O também jurista e pesquisador do Centro de Integridade Pública (CIP), Baltazar Fael, diz que Moçambique avançou em termos de legislação sobre o combate à corrupção, mas o problema reside na sua aplicação, sublinhando que "todo o mundo, desde aqueles que se ocupam dos mais altos escalões deste país, até ao funcionário do nível mais baixo, estão envolvidos em casos de corrupção".

Contudo, Natércia Dias, magistrada do Ministério Público, diz que o Estado moçambicano encara com seriedade o combate à corrupção.

"O Gabinete Central de Combate à Corrupção, à semelhança da Procuradoria Geral da República, tem um plano estratégico, com várias componentes viradas essencialmente para a prevenção e combate à corrupção", disse Dias.

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