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Ministro cita "grupos" que provocam instabilidade em Cabinda e FLEC-FAC convida-o a visitar as bases


Raúl Tati, deputado da UNITA, comenta

O ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança da Presidência de Angola admitiu a existência de grupos que provocam instabilidade em Cabinda, embora diga que não integram uma ação organizada.

“De vez em quando, aqui e acolá, podem surgir grupos que possam fazer uma ou outra ação em Cabinda, não como ação organizada”, afirmou na quarta-feira, 15, o general Pedro Sebastião, citado pelo Novo Jornal.

Numa primeira referência a conflitos em Cabinda, em anos, por parte de um governante, Sebasitão respondia a uma questão referente a recentes notícias sobre um alegado reconhecimento tácito pela ONU da existência de um grupo de guerrilha em Cabinda.

A organização independentista Frente de Libertação do Estado de Cabinda-Forças Armadas de Cabinda (FLEC) saudou a referência e convidou o ministro a visitar as suas bases na província.

“As notícias de Cabinda nas redes sociais não correspondem à verdade, há naquele território uma paz efetiva”, afirmou o general Pedro Sebastião na altura, sem avançar mais detalhes.

O comentário segue-se a vários comunicados da FLEC sobre confrontos entre as Forças Armadas de Cabinda (FAC) e as Forças Armadas Angolas (FAA) em Cabinda.

Confrontos

Em entrevista à VOA a 8 de julho, o comandante Alfonso Zau confirmou os combates e disse que dias antes, depois de mais um confronto, recuperaram 22 corpos de soldados das FAA.

“Estamos a contabilizar ainda os mortos encontrados na mata depois de um ataque de grande envergadura do exército invasor contra a nossa tropa, foram ´bem recebidos´ porque quem procura acha e caíram na nossa emboscada”, revelou aquele comandante na ocasião.

Hoje, num comunicado, a FLEC-FAC convida o ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança da Presidência de Angola a visitar as bases da organização no interior da província.

A organização diz saudar "o momento de lucidez" Sebastião quando "reconheceu a existência da guerra", honrando "as famílias angolanas enlutadas" pelos soldados angolanos que morreram em combate.

A FLEC-FAC acrescentou, no entanto, que o ministro, que é natural de Cabinda, "demonstrou desconhecer a realidade da dimensão da guerra", e por isso convidou Pedro Sebastião a visitor as suas bases no interior da província, garantindo a segurança dele.

Reações em Cabinda

Por outro lado, o deputado da UNITA Raul Tati reitera que “Cabinda continua em guerra”, ao contrário do que diz Pedro Sebastião que “conhece bem a situação de Cabinda”.

Para Tati, tais fatos não passam de estratégia política do Governo angolano para silenciar a realidade que se vive em Cabinda e que vai fazendo vitimas humanas.

Esse discurso, diz Tati, “para além de deturpar a realidade dos fatos no terreno, não ajuda a pacificar o território”.

O deputado da oposição disse, entretanto, que comparar a guerrilha de Cabinda com a delinquência que grassa outras regiões de Angola é “ofender os intentos de autodeterminação dos cabindas”.

Para o advogado e ativista Arão Tempo, as declarações do ministro de Estado não deixam de ser “uma farsa de alguém que nunca perdeu parentes neste conflito”.

Ele devendeu o diálogo como solução para o problema de Cabinda.

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