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Ministro e activistas de direitos humanos com "discursos cruzados"

  • Manuel José

Manifestações em Luanda (Arquivo)

Governo pede parceria, activistas exigem primeiro passo do Executivo

O ministro angolano da Justica e dos Direitos Humanos, Francisco Queiróz, pediu aos activistas que sejam parceiros do Governo porque a luta é de todos.

Activistas dos direitos humanos devolvem o pedido e consideram que quem exclui e afasta as organizacoes da sociedade civil é o Executivo.

Em declrações à VOA, Francisco Queiróz solicitou maior coesão entre os activistas dos direitos humanos e o Executivo na luta pelos direitos fundamentais e garantias dos cidadaos.

“É preciso corrigir e fazer ajustes no sentido de se trabalhar em parceria, mas às vezes parece que estamos em campo opostos, as instituições do Estado e as organizações da sociedade civil devem trabalhar em verdadeiras parcerias porque o objectivo dos direitos humanos que é comum", defende Queiróz.

Activistas respondem

João Castro Freedom, defensor dos direitos humanos, diz que é geralmente o Estado o principal violador dos direitos dos cidadãos e deve ser ele a estender as mãos aos parceiros da sociedade civil.

“O senhor ministro vai ter de passar da teoria à prática, vamos ver se consegue ser diferente da gestão anterior e dar as mãos às organizações não governamentais que, na verdade, são anteriores ao Governo porque no tempo colónia elas lutavam contra o colono para defender os interesses do cidadão”, lembra Freedom, acrescentando que agora “elas são tidas como rivais, para não dizer inimigas, embora algumas estrapolem o seu limite de actuação".

Para aquele activista, o “Governo tem de promover o diálogo porque se ficar fechado no gabinete e apenas ir à União Africana e Genebra defender relatórios não vai resultar”.

Tunga Alberto, outro defensor dos direitos humanos, considera que é o próprio Estado quem comete as piores violações de direitos humanos.

"Ainda temos em Angola cidadãos que nem sequer gozam o direito à sua cidadania angolana, há comunidades no país que sofrem terrorismo de Estado, é como é que o ministro quer falar de direitos humanos, se o sector nem é contemplado no OGE?”, questiona Alberto.

Recorde-se que Angola foi eleita na segunda-feira, 17, membro do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra para o period 2018-2020.

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