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Mia Couto diz ter ficado surpreso de forma negativa com a resposta do Brasil ao ciclone Idai


Escritor afirma que tal resposta não corresponde à relação história entre Brasil e Mocambique

O escritor moçambicano Mia Couto afirma ter ficado surpreso de forma negativa com a resposta do Governo brasileiro às inundações provocadas pela passagem do ciclone Idai pela região centro do seu país.

Em entrevista ao portal G1 da rede Globo, Couto, que é natural da Beira, a cidade mais afectada pelo ciclone, e cuja fundação que preside desenvolve uma campanha de apoio às vítimas do ciclone, esclarece que não pode ser deselegante, mas que a resposta de Brasília não correponde à relação histórica entre os dois países.

"Fiquei espantado com a quantia de 100 mil euros, que foi doada pelo Brasil a Moçambique. Não corresponde à relação histórica e afectiva entre os dois países e ao desejo dos brasileiros de contribuir", afirmou Mia Couto.

Ele acrescentou que não pode ser "deselegante".

"É uma contribuição e temos que ser gratos. Mas eu esperava que fosse mais significativa. Timor Leste, outro país de língua portuguesa, deu 10 vezes mais e não tem a economia na escala do Brasil, que é uma das maiores do mundo. Fiquei surpreso de forma negativa com a intervenção do Governo brasileiro", expressou o escritor que é muito conhecido no Brasil.

A Fundação Fernando Leite Couto, que leva o nome do pai do escritor, fez uma parceria com a Cruz Vermelha para conseguir apoios para os afectados pelo Idai, através de uma campanha dentro e fora de Moçambique.

Mia Couto disse ter escolhido a Cruz Vermelha por uma questão de crediblidade.

"A questão da credibilidade e a crença da pessoa que vai doar é fundamental. As pessoas têm o desejo de ser solidárias, mas às vezes desistem porque não têm confiança no agente. Por isso, a importância de prestar contas e ser transparentes. Estamos conseguindo angariar recursos", afirmou que anunciou a abertura de "uma conta no Brasil em reais para que os brasileiros possam fazer as doações".

Questionado se uma tragédia na África é subestimada e não desperta a comoção da comunidade internacional, couto respondeu que "10 pessoas que morrem numa cidade europeia merecem uma atenção que mil pessoas que morrem na África não merecem. Há uma desvalorização da vida nestes lugares que são distantes. Não existe o mesmo critério de importância à vida humana".

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Mia Couto é um das vozes mais respeitadas de Moçambique e um dos mais prestigiados escritores de língua portuguesa, tendo ganho em 2013 o prémio Camões, o mais importante do mundo lusófono.

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