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MDM prepara eleição de presidente em meio a divisões e desafios enormes


Daviz Simango, fundador e presidente do Movimento Democrático de Moçambique falecido a 23 de Fevereiro
Daviz Simango, fundador e presidente do Movimento Democrático de Moçambique falecido a 23 de Fevereiro

Analistas consideram difícil a tarefa de substituição de Daviz Simango, falecido a 23 de Fevereiro

Analistas moçambicanos consideram que o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) vai enfrentar uma tarefa difícil para encontrar uma figura à altura de substituir Daviz Simango, que morreu há três meses por doença e que era tido como a cara do partido que fundou em 2009.

O Conselho Nacional reúne-se neste fim de semana para marcar o Congresso que vai eleger o novo presidente.

Os analistas políticos Wilker Dias e Sansão Nhancale defendem que o MDM não esta à deriva sem Daviz Simango, mas receiam que o escândalo de tribalismo, que abalou recentemente o partido, venha a fragilizar ainda mais o processo de sucessão e terminar em fissão interna e perda de relevância da terceira força política moçambicana.

Sansão Nhancale observa que o MDM era um partido que mostrava uma estrutura política funcional, apesar de não ter uma maquina partidária robusta e tudo ter estado concentrado na figura do presidente do partido.

Para Nhancale, o MDM enfrenta num dilema em que ao eleger Lutero Simango pode confirmar a teoria do tribalismo e criar fissuras, porque o “projecto MDM está ligada a esses irmãos (Lutero e Daviz Simango)”, enquanto se eleger uma outra pessoa “pode desviar da linhagem e da doutrina” da criação do partido e perder a relevância na arena política nacional.

“O MDM tem que fazer um trabalho muito forte de base”, defende Sansão Nhancale, adiantando que o novo líder terá uma tarefa igualmente difícil de renovar o partido e desmistificar a ideia de “ser um partido de um grupo de pessoas” para partido de dimensão nacional.

Por sua vez, Wilker Dias entende que a sucessão de Daviz Simango não será tarefa fácil porque o partido já vinha perdendo a sua pujança na área política mesmo antes da morte do presidente e fundador, além de perder muitos quadros devido a questões tribais.

“O movimento precisa de uma reorganização, fugindo dos problemas iniciais”, diz Wilker Dias, em alusão à gestão que se confundia com uma “monarquia”.

“Vai ser difícil também porque não vai ser fácil encontrar uma figura carismática como Daviz Simango”, reitera, e conseguir as conquistas que o perdido conseguiu em 12 anos da sua fundação.

O MDM vai reunir-se no próximo fim-de-semana, na cidade da Beira, na primeira sessão extraordinária do Conselho Nacional, que deverá definir as datas para a realização de um congresso electivo extraordinário para a eleição de um novo presidente.

Após a morte de Simango, aquele órgão decidiu pela realização de um Conselho Nacional, que agendaria um congresso, mas a reunião foi adiada por três vezes porque o número de delegados superava o limite de 100 pessoas estabelecido na altura.

“Corre-se o risco de o MDM sair deste Congresso extraordinário muito fragilizado se as coisas não forem muito bem acauteladas”, alerta Sansão Nhancale.

Entretanto, o porta-voz do partido, Sande Carmona, afirma que apesar do seu partido estar a enfrentar dificuldades, devido à morte de Simango, existem no partido muitos membros com capacidade para liderar a terceira força parlamentar.

Numa entrevista à VOA, o novo edil, Albano Carige, indicado em substituição de Daviz Simango, garante que não vai concorrer a presidência do MDM, do qual é membro da Comissão Política.

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