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Manifestações levantam velhos fantasmas entre o Governo e a Unita


Pessoas montam barricadas durante a manifestação em Luanda, Angola. A polícia anti-motim disparou gás lacrimogéneo e agrediu dezenas de manifestantes que tomaram as ruas da capital angolana. 24 outubro 2020

Uma semana depois dos tumultos que abalaram a capital angolana, com o resultado de um morto e cinquenta feridos, os organizadores da
manifestação abortada pelas autoridades angolanas, falam em mais de
300 pessoas que continuam desaparecidas.

A sociedade continua mobilizada e apontam o governo liderado por João
Lourenço como o principal responsável pelas consequências, por ter
conduzido uma resposta violenta contra jovens pacíficos e indefesos.

As reações contra a violação do direito à manifestação, previsto da
Constituição da República, continuam a ser ouvidas e as redes sociais
têm sido o palco das mais acirradas discussões, entre membros da
sociedade civil, partidos da oposição e os defensores do
regime no poder.

A cobertura pelos órgãos de comunicação social também ficou beliscada,
durante a tentativa de manifestação do último sábado, com o registo de
seis jornalistas detidos no exercício das funções e libertados sem
acusação.

O Comité para a Proteção dos Jornalistas pediu, esta semana à polícia
angolana que deixe de prender e agredir repórteres no exercício das
suas funções e que lhes permita fazerem o seu trabalho.

Também o Sindicato dos Jornalistas Angolanos considerou que as
sucessivas e arbitrárias detenções dos jornalistas no exercício das
suas funções, como ocorreu no último final de semana, retiram à Polícia
Nacional a autoridade moral para reclamar dos cidadãos o respeito às
leis do país.

A marcha visava reivindicar melhores condições de vida, mais emprego e
a realização das primeiras eleições autárquicas em Angola.

De acordo com o secretário de Estado do Ministério do Interior,
Salvador Rodrigues, que negou a existência de qualquer morte
resultante do evento, estavam detidos cerca de 90 homens e 13 mulheres,
e seis polícias ficaram feridos nos confrontos com manifestantes.

Os partidos políticos na posição entendem que não se justifica os
julgamentos sumários, ao passo que o partido no poder é de opinião que
a lei foi violada.


O jurista Inácio Raimundo identifica alguma inconstância na actuação
dos efectivos da polícia nacional e responsabiliza o presidente João
Lourenço que, do seu ponto de vista, sequestrou os poderes da
assembleia nacional.

Para falarsobre o assunto, ouvimos igualmente o reverendo Toni
Nzinga, a vice-presidente da UNITA, Arlete Chimbinda e a vice-
presidente do MPLA, Luísa Damião.

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