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Malária mata 400 pessoas em três meses em Benguela

  • João Marcos

Lixo em Benguela

Focos de lixo, o principal vector, podem provocar outras doenças, com realce para a cólera

A província angolana de Benguela registou mais de 400 mortes por malária em três meses, estando os casos associados à proliferação de focos de lixo nas principais cidades.

As informações relativas ao mês de Abril vão ser apresentadas amanhã, 25, numa comuna afectada por um surto que deixa acamado um número superior a cem pacientes.

Com o acto provincial agendado para o município da Ganda, o lema para o Dia Mundial de Combate à Malária, nesta terça-feira, é ‘’Acabar a Malária para Sempre’’, mas a realidade mostra que não se consegue eliminar o vector.

O Programa da Malária, por intermédio de Manuel Cassiano, vem manifestando preocupações, quando se sabe que as operadoras de recolha de lixo estão inoperantes.

‘’Ainda temos muito trabalho pela frente, já que a possibilidade de multiplicação do vector está no saneamento básico. Em trabalhos de campo, vimos que aqui na Ganda há uma comuna com mais de cem pacientes. Tivemos de enviá-los para o hospital municipal, em estado grave’’, realça Cassiano.

Excertos da realidade numa província que registou mais de 400 mortes no primeiro trimestre deste ano, cifra que representa, segundo fontes do sector, um aumento ‘’assustador’’.

Com o saneamento básico na ordem do dia, o chefe da Secção de Saúde no Lobito, Zeferino Joaquim, faz contas à vida, mas a pensar num eventual surto de cólera.

"Poderemos ter, se analisarmos a população, mais de 11 mil casos de cólera no nosso município. Necessitaremos, por isso, de um aumento do número de camas nos hospitais", sublinha.

O governador de Benguela, que vem lamentado a falta de recursos para as empresas que deveriam estar a tratar dos resíduos sólidos, não perde uma única oportunidade para tocar no assunto

"Estamos neste momento com sérios problemas na recolha do lixo. Às vezes, o lixo é colocado mesmo na via pública, para que o governador não tenha desculpas e diga que não viu. Mas vamos tentar recolher aos poucos’’, admite Isaac dos Anjos, governador de Benguela, num contacto com a população da Damba Maria, nos arredores da cidade capital

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