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Livro de jornalista francesa adentra-se no "clã dos Santos"


“A empresa dos Santos, o controlo de Angola”, de Estelle Maussion, em francês, será lançado amanhã

A jornalista francesa Estelle Maussion lança na quarta-feira, 2, o livro "La dos Santos company - Mainmise sur L'Angola", (A empresa dos Santos, o controlo de Angola", em português), que conta a saga de José Eduardo dos Santos e a estrutura de poder criada por ele, assente na família, e gerida, segundo a autora, por um pequeno grupo de pessoas, muito próximas do MPLA.

A obra, daquela colaborada da revista Jeune Afrique e que foi correspondente em Angola entre 2012 e 2015, revela o que Maussion considera ser "um sistema corrupto e com um certo nepotismo".

Estelle Maussion escreve, de acordo com o primeiro capítulo publicado pela Jeune Afrique, que José Eduardo dos Santos, "decidia tudo sozinho e distribuía recursos para sua família, enquanto a maioria da população vive com menos de dois dólares por dia".

A autora escreve que Santos tomou o país mas não conseguiu antecipar "a ruptura" que o seu sucessor iria fazer.

O livro, editado pela Karthala, é o resultado de uma longa investigação que tenta decifrar uma saga familiar, enquanto coloca em perspectiva os desafios actuais de Angola.

Ao falar dos almoços da família dos Santos, Estelle Maussion escreve:

"No alegre barulho causado pelos netos, todos observam a reacção do patriarca, José Eduardo, a encarnação de um punho de ferro numa luva de veludo. Nunca uma subida de tom de voz, nunca uma cena em público, mas uma autoridade indiscutível e incontestável. Líder tribal impenetrável, é ele quem decide, separa, promove e castiga. Ele não é apenas irmão, pai, avô, líder ou Presidente. Ele é o mestre de sua existência, o "padrinho" de um clã que reina supremo e inescrupuloso sobre Angola".

A jornalista descreve também o "distrito presidencial, um bunker".

"A sua omnipotência não é sentida tão forte noutro lugar como na Cidade Alta, o distrito que abriga o palácio presidencial. Luanda é uma cidade caótica e barulhenta, com calçadas quebradas ou inexistentes e tráfego de carros anárquicos. Localizada nas alturas da cidade, a cidade alta é um paraíso de vegetação, silêncio e ordem", lê-se no primeiro capítulo.

"Belas avenidas de palmeiras, ruas perfeitamente asfaltadas, calçadas pavimentadas diariamente, edifícios cor-de-rosa e brancos que datam da época colonial, decorados com colunatas. Nós ouvimos os pássaros cantando. Este cenário idílico quase esqueceria que é um bunker (...) No caminho, soldados de uniforme armados com metralhadoras estão colocados em cada porta, a cada 100 metros. Qualquer pessoa de fora é imediatamente avistada e deve mostrar a pata branca", descreve a escritora.

Estelle Maussion, que fala de "um pai autoritário, uma menina bilionária e um filho preso", acredita que o "clã dos Santos" não acabou e que de alguma forma vai tentar manter a sua influência no país.

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