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"Justiça popular” volta a assolar Manica

  • André Baptista

Muitas vezes a população recorre a pneus para fazer justiça (foto de arquivo)

Polícia reitera apelos para o combate ao fenómeno e sociólogos dizem que a situação resulta da quebra de confiança.

Os casos de “justiça popular”, caracterizados por linchamento de suspeitos assaltantes e violadores sexuais voltaram a disparar em Chimoio, a capital da provincia moçambicana de Manica, levando a Polícia a reiterar apelos para o combate.

O caso mais recente ré o de um jovem que foi linchado com recurso a um pneu, depois de ter sido flagrado a tentar roubar no bairro 7 de Abril, um dos mais populosos de Chimoio.

O incidente aconteceu dias depois de um outro jovem ter sido espancado até a morte no bairro Tambara 2, após suspeitas de ter assaltado uma residência e violado sexualmente uma moradora.

“Apelamos as pessoas a não recorrer à justiça pelas próprias mãos para resolver um crime, porque existem instituições de justiça para tratar os casos” disse Leonardo Colher, chefe do depertamento das relações Publicas no comando da Polícia de Manica.

Mas o sociólogo Boaventura Bosco atribui o retorno de casos de linchamentos em Manica à falta de civismo e do vinculo social da população. Apontou igualmente a ineficiência das instituições da justiça na resposta aos anseios da sociedade no combate ao crime.

“Há que haver uma intervenção forte das instituições de justiça, apesar do envolvimento da familia e das próprias comunidades sobre o conceito de civismo” disse Bosco.

Ele recordou que há casos em que os assaltantes são levados à justiça e em poucos dias são soltos e voltam a cometer crimes.

Na província, os linchamentos começaram, em 2007, numa revolta popular contra a impunidade. Sete pessoas foram mortas num único dia.

Desde então, a polícia diz que anualmente a população mata, em média, cinco pessoas, e dezenas escapam com graves ferimentos.

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