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Joe Biden fala quarta-feira ao Congresso com eleitorado a seu favor


Joe Biden (Foto de 15 de Abril)

Sondagens indicam que após 100 dias de governação, Presidente tem nota favorável de 52% do eleitorado

O Presidente americano Joe Biden vai fazer o seu discurso sobre o estado da união na quarta-feira, 28, perante as duas câmaras do Congresso, o que para ele não será inteiramente novidade.

Joe Biden fala quarta-feira ao Congresso - 6:09
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Ao fim e ao cabo ele foi eleito para o Senado pela primeira vez em 1972 e foi vice-presidente durante dois mandatos, durante a Administração Barack Obama pelo que este discurso anual e o cerimonial e ritual que o rodeiam não serão algo de novo para ele.

Algo de novo será o facto de que pela primeira vez na história atrás dele estarão duas mulheres, a vice-presidente Kamala Harris e a presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi, algo que ele vai sem dúvida mencionar logo na abertura do discurso.

Novidade será também o facto de a audiência dentro do Congresso ser menor do que a habitual devido às restrições impostas pela pandemia do coronavírus pelo que muitos daqueles que estão geralmente presentes neste evento, rodeado de tradição não vão lá estar, como por exemplo os juízes do Supremo Tribunal e os comandantes dos diversos ramos das forças armadas.

Biden vai discursar no Congresso enquanto marca os seus primeiros 100 dias na Casa Branca
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Mas aparte o cerimonial e os seus símbolos, a atenção estará virada para as palavras do Presidente que, segundo fontes na Casa Branca, vão reflectir os seus primeiros 100 dias, um número que serve geralmente para se fazer as primeiras contas do mandato.

Há que dizer que Biden termina estes primeiros 100 dias melhor do que o seu antecessor, Donald Trump.

Ele tem uma aprovação de 52%, quando Trump nos seus primeiros 100 dias tinha uma aprovação de pouco mais de 40%.

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Muitos republicanos, no entanto, afirmam que ao contrário do que afirmou durante a sua campanha o Presidente não tem seguido uma política de aproximação com o eleitorado conservador ou seus representantes, mas uma política económica da ala mais à esquerda do seu partido.

Juan Williams, analista da cadeia de televisão Fox News, não concorda e afirma que o Presidente está a cumprir a sua promessa de buscar a unidade.

“Eu penso que há uma grande diferença entre políticos republicanos e eleitores republicanos no que diz respeito à unidade e penso que é por isso que numa altura de polarização extrema as sondagens são muito boas para Biden que tem uma aprovação de entre 52 e 54%”, disse Williams.

Mas outros fazem notar que se Biden tem sondagens melhores do que Trump ao fim de 100 dias, elas são bem piores do todos os outros presidentes da era moderna.

Críticos dizem que Biden apostou numa política económica de grandes projectos e aumento de impostos e também em questões sociais que lhe poderão custar votos.

Julie Pace, correspondente na Casa Branca da agência de notícias Associated Press (AP), concorda que Biden iniciou a sua Presidência com um vendaval de decretos e depois de programas ambiciosos, mas diz que isso se deve ao facto do Presidente sentir que “aprendeu algumas lições quando foi número dois de Obama no que diz respeito à ambição que se tem que ter ao princípio”.

“Ele sabe muito bem que como Presidente há uma margem muito pequena em termos de se fazer aprovar legislação e portanto se estamos a observar grandes ambições agora é porque ele sabe que daqui a seis ou oito meses, quando entrar no seu segundo ano tudo isso se torna difícil”, disse Pace.

“Portanto vai ser interessante comparar a posição que ele adopta agora nos seus primeiros 100 dias com a posição que vai adoptar no próximo ano”, acrescentou a correspondente da AP que falava à cadeia de televisão Fox News.

No próximo ano haverá eleições legislativas e até lá o Presidente terá que pensar em atrair o voto de independentes para assegurar que o Partido Democrata mantenha o controlo, ténue, que tem na Câmara dos Representantes e no Senado.

Sara Fagen trabalhou para o Presidente George W Bush e diz que as eleições são uma preocupação para Biden mas não por essa razão.

“É cedo, mas falando em termos políticos, a maior parte das pessoas pensa que os republicanos vão ganhar o controlo da Câmara”, disse Fagen e é por isso que “Joe Biden tem mais ou menos 11 meses, talvez até ao próximo mês de Março para fazer aprovar uma agenda”.

“Mas ele está a pressionar por pacotes legislativos tão grandes que se arrisca a não ter nada mais do que a lei financeira de combate à Covid”, acrescentou Fage à cadeia de televisão ABC.

É certo que mesmo dentro do Partido Democrata há muitos que expressam reservas quanto a um novo pacote económico de mais um trilião de dólares que vai requerer aumentos de impostos e talvez levar a um aumento da inflação.

Mas na quarta-feira, 28, por qualquer que seja a razão estratégica ou por apenas ser parte do seu programa, Biden deverá pressionar, entre outras coisas, pelo aumento de acesso a cuidados de saúde e mais ajuda económica para as famílias americanas.

Deverá também apelar para que o Congresso aprove medidas de reforma nos departamentos policiais através do país.

Como é tradição, a resposta ao discurso de Biden será dada pelo senador republicano Tim Scott.

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