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Janot diz que pode anular colaboração premiada da J&F

  • Bárbara Ferreira Santos

Rodrigo Janot, Procurador-Geral do Brasil

O governo e seus aliados comemoraram a notícia e disseram que a delação está viciada.

O procurador-geral da República do Brasil, Rodrigo Janot, abriu uma investigação que pode levar ao cancelamento do acordo de delação premiada de três executivos do grupo J&F, dono do frigorífico JBS, e que envolve o presidente da República, Michel Temer.

Rodrigo Janot determinou que seja feita a revisão dos acordos de delação premiada de Joesley Batista, Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva.

Segundo o procurador-geral, um áudio no pen-drive entregue à procuradoria indica que o ex-procurador Marcelo Miller teria atuado em favor dos colaboradores Joesley Batista e Ricardo Saud antes de se exonerar do Ministério Público Federal.

Depois de deixar o cargo, Marcelo Miller foi trabalhar no escritório de advocacia que negociou a delação da J&F.

Essa delação premiada inclui um áudio do dono da JBS, Joesley Batista, com o presidente da República, Michel Temer.

Com essas provas, o presidente foi investigado pela procuradoria por corrupção passiva, obstrução de justiça e organização criminosa.

Mas, no início do mês passado, a Câmara dos Deputados não autorizou o Supremo Tribunal Federal (STF) a julgar a denúncia enquanto Michel Temer estiver no cargo. Ele só poderá ser julgado a partir de 2019.

Segundo Janot, uma eventual rescisão do acordo de delação premiada dos executivos da JBS não invalidaria as provas até então oferecidas. O que poderia ocorrer seria uma perda de benefícios obtidos com a delação.

O governo e seus aliados comemoraram a notícia e disseram que a delação está viciada.

Para especialistas, a reviravolta no caso abala ainda mais a credibilidade da Lava Jato.

O cientista politico Thiago Vidal, da consultoria Prospectiva, explica que a estratégia do procurador com o discurso sobre a revisão do acordo da JBS é alertar novos delatores sobre as consequências de delações mentirosas ou com omissão de provas.

Janot disse que se o acordo de delação premiada for desfeito, os três executivos da JBS podem até mesmo ir para a prisão.

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