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Isabel dos Santos defende novo sistema económico para os países africanos


Isabel dos Santos falou na Universidade de Yale

Empresária angolana sugere políticas focadas nas pessoas e na sustentabilidade do meio ambiente.

A empresária angolana Isabel dos Santos defendeu o recurso à tecnologia e ao respeito pelo meio ambiente como pressupostos para uma nova política de desenvolvimento em África.

“Uma nova narrativa” é urgente para “um novo sistema, que nos permita acomodar o crescimento populacional, dissociando-nos das limitações de recursos, e que nos permita ir ao encontro das necessidades básicas de todos”, reforçou Santos ao intervir no fim-de-semana na conferência da Associação de Yale para a Paz e Desenvolvimento Africano (YAAPD), realizada na conceituada Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

As posições da filha do antigo Presidente angolano José Eduardo dos Santos, em poucas frases, foram tornadas públicas no Twitter pela organização e pela própria Isabel dos Santos.

“Não é sustentável existir uma diferença tão grande entre as nações desenvolvidas e os países mais pobres", sublinhou a antiga presidente da Sonangol, para quem tal desiderato só é possível com “sistema mais justo, focado nas pessoas e na sustentabilidade do meio ambiente".

Ao se dirigir a uma plateia de estudantes, muitos deles do continente africano, Santos reiteraou que a inovação e a tecnologia vão-nos permitir crescer e eliminar o fosso que existe actualmente entre África e o resto do mundo" e defendeu, para tal a necessidade de um plano e uma visão.

A empresária apontou a tecnologia como instrumento para “reduzir a assimetria entre o continente africano e o resto do mundo", juntamente com uma exploração inteligente dos recursos humanos, que garanta “energia limpa, água limpa, solos não poluídos".

Polémica participação

Entretanto, a participação de Isabel dos Santos não esteve isenta de polémica, particularmente nas redes sociais, onde a empresário é muito actuante.

Em vários postos, estudantes a de não ser empresária ou activista, mas sim “parte de um sistema corrupto em Angola”.

Numa das mensagens, apelava-se que aos que fossem à confer
encia que fizessem perguntas sobre as suas actividades e que “apresente alguns recibos”.

A organizadora da conferência, YAAPD reagiu dizendo que embora a sua presença seja uma componente da conferência, não constitui um aval da Associação às actividades de Isabel dos Santos.

Em entrevista à VOA na véspera da conferência, 12, o professor no Departamento de Política e Estudos Internacionais da Universidade de Cambridge e especialista em Angola, Justin Pearce disse que os angolanos estão conscientes de que a riqueza da família dos Santos, e especialmente de Isabel, veio de ligações políticas, e não de empreendedorismo.

“Ela disse que começou como empreendedora como rapariga vendendo ovos nas ruas de Luanda. Mas você pode ter a certeza, devido à história, que ela não teve de vender ovos para colocar comida na mesa”, disse Pearce, para quem “se essa pequena anedota é verdadeira ou não, permanece o facto de que ela não teria adquirido os seus activos financeiros e os negócios que ela controla sem a influência de seu pai".

Para aquele professor, há muitos empresários africanos que começaram no nada e que poderiam inspirar os estudantes, mas tal não acontece com Santos.

“Infelizmente, Isabel dos Santos não é um bom exemplo disso”, acrescentou Justin Pearce, acrescentando que, embora tenha o direito de falar quando e onde quiser, “tornou-se rica devido às suas ligações políticas”.

Isabel dos Santos não reagiu a nenhuma das críticas.

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