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Irmão de José Eduardo dos Santos recebeu comissão de companhia envolvida nas eleições, diz jornal espanhol


"El Confidencial" revela que contas da companhia Indra foram inflacionadas em mais de nove milhões de euros e fisco espanhol confirma irregularidades

Um jornal espanhol acaba de detalhar um acto de corrupção da companhia espanhola Indra que esteve envolvida nas eleições de 2008, 2012 e 2017 em Angola.

"El Confidencial" afirma que Luís Eduardo dos Santos, irmão do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, foi um dos angolanos que recebeu comissões.

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Santos recebeu uma comissão de 108 mil euros da Indra em 2008 e, nas eleições de 2012, mais de nove milhões de euros desapareceram em contas na Suíça, disse o jornal.

A Indra esteve envolvida nas eleições de 2008, 2012 e 2017 em que era encarregue de preparar material informático e outro para as votações desse ano e no passado o seu envolvimento tem sido questionado pelos partidos da oposição.

O valor total desses contratos está avaliado pelo jornal em 420 milhões de euros.

Os contratos da Indra com Angola foram investigados pelo Ministério das Finanças da Espanha que concluiu terem-se registado pagamentos inflaccionados em 2,4 milhões euros para o aluguer de 14 aviões para transporte do material eleitoral nas eleições de 2012.

O aluguer desses aviões foi efectuado pela companhia Kessler Consultants, sediada na Grã Bretanha e a trabalhar para a Indra, mas as Finanças espanholas dizem que essa quantia “não têm justificação jurídica”.

O jornal escreve que os pagamentos no que dizem respeito ao frete de aviões para as eleições desse ano foram inflacionados em muito mais, precisamente em 9, 8 milhões de euros.

Essa quantia foi canalizada para a Kessler Consultants e grande parte acabou em contas em bancos na Suíça, diz o jornal que, contudo, não diz a quem pertenciam essas contas.

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O El Confidencial revela que e-mails de empregados da Indra em Junho de 2012 falam da “necessidade de se compensar intermediários na operação”.

O jornal afirma que “um empregado de influência da Indra acrescenta que já em 2008 e depois de se alcançar o contrato com a Comissão Nacional Eleitoral foram pagas contribuições supostamente irregulares e camufladas” no uso de aviões.

“Uma dessas compensações foi para Luís Eduardo dos Santos, irmão do ex-Presidente de Angola e actual director não-executivo da TAAG”, diz o jornal, acrescentando que "a comissão ascende a 108 mil euros e foi transferida de uma conta da Indra em Espanha para uma conta num banco britânico”.

A companhia Indra afirma que após uma investigação interna foram detectadas “deficiências de gestão do contracto da Kessler” e um director dos processos eleitorais da companhia foi despedido.

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