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Investimentos turcos disparam em Moçambique

  • Ramos Miguel

Maputo

Do agrado do empresariado a desconfianças e críticas às violações de direitos humanos

A Turquia pretende aumentar de 120 milhões para 500 milhões de dólares as suas trocas comerciais com Moçambique, uma iniciativa vista por analistas como um esforço para exercer a função de protecção moral em Moçambique, após o abandono, pelos seus parceiros de cooperação, por causa das chamadas dívidas ocultas.

A Turquia faz parte dos 10 maiores investidores em Moçambique, onde investe, actualmente, pelo menos 270 milhões de dólares, cifra que empresários turcos pretendem aumentar, nos próximos tempos, segundo fonte da embaixada turca em Maputo.

Os investimentos turcos abtrangem as mais diversas áreas, entre as quais o turismo, energia, agricultura, infraestruturas e a mineração, algumas das quais contam já com a participação de empresários turcoss.

Segundo analistas, a Turquia, em concorrência directa com alguns dos chamados BRICS, nomeadamente, Brasil, India e China, na ofensiva em África, está mais interessada na afirmação global do que nas matérias-primas.

Substituir parceiros tradicionais

"Muitos doadores abandonaram a cooperação com Moçambique, na sequência da descobrta das dívidas ocultas, e eu penso que ao incrementar o seu investimento, a Turquia pretende desempenhar em Moçambique a função de protecção moral", afirmou o analista Rosário Ubisse.

O investimento turco abrange também o sector da construção e há quem considere, embora sem provas evidentes, que o dinheiro investido em muitas obras resulta do branqueamento de capitais, para além de que alguns dos investidores não pagam impostos, como diz o analista Francisco Matsinhe.

A Procuradoria-Geral da República assume que Moçambique regista casos suspeitos de utilização do sistema financeiro para ocultar ou dissimular a proveniência ilícita de capitais, através de esquemas que configuram o crime de branqueamento de capitais, sem, no entanto, fazer qualquer referência específica a figuras ou instituições envolvidas nisso.

Em meios empresariais moçambicanos, o investimento é visto com bons olhos porque os turcos têm muita experiência em várias áreas de desenvolvimento.

Entretanto, para o Governo e o empresariado, a cooperação económica da Turquia com Moçambique ainda é insignificante, mas reconheçam que as trocas comerciais subiram de cinco milhões de dólares em 2015 para 120 milhões o ano passado.

Direitos humanos

Em Julho, Moçambique e a Turquia assinaram um memorando de entendimento no domínio de hidrocarbonetos e energia, visando, entre outros objectivos, identificar e desenvolver projectos de armazenamento, transporte e distribuição de produtos petrolíferos, bem como a construção e manutenção de infraestruturas petrolíferas e de gás natural.

Mas em Moçambique, a Turquia enfrenta vozes críticas, que acusam Ankara de não respeitar os direitos humanos, dentro e fora da Turquia.

Durante a sua recente visita a Moçambique, o Presidente da Turquia, Recep Erdogan, exigiu das autoridades moçambicanas o encerramento de estabelecimentos de ensino turcos, que na sua opinião, apoiaram a tentativa de golpe de Estado no seu país.

Contudo, esses estabellecimentos continuam abertos, com alguns críticos a considerarem que a Turquia é mau exemplo no que se refere ao poder e à comunicação social.

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