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Instaurado inquérito à queda de helicóptero da Força Aérea de Angola


"Alouette" terá mais de 60 anos de serviço

O helicóptero da Força Aérea de Angola (FAN) que caiu na quarta-feira, 22, em Benguela, provocando dois mortos e dois feridos, faz parte de uma frota com várias dezenas de anos de serviço dada como inapta já em 1992, devido a problemas técnicos, apurou a VOA de fontes da instituição.

De lá para cá, com um acidente pelo meio que envolveu profissionais da Televisão Pública de Angola (TPA), em 2012, os aparelhos do tipo Alouette 3 continuaram a voar.

As autoridades militares instauraram uma comissão de inquérito para averiguar as causas do acidente.

Da torre do aeroporto da Catumbela chegam agora informações de que a tripulação teria tentado uma aterragem de emergência após ter detectado problemas técnicos a 15 milhas náuticas (30 quilómetros), na localidade de Kapilongo, onde caiu o helicóptero com a matrícula H-233.

Testemunha conta o que viu

A queda provocou "muito fogo naquele perímetro", conforme conta o munícipe João Kapita, criador de gado.

“Os meus trabalhadores ajudaram a Força Aérea e foram eles que tiveram de apagar, com a terra mesmo”, contou a testemunha.

Há nove anos, o jornalista Alexandre Cose sobreviveu a um acidente no mesmo tipo de helicóptero que, como refere, poderia ter sido evitado.

“Em conversas com os próprios pilotos ... já eles reclamavam que os aparelhos eram velhos, eram usados à base do improviso. Eles diziam já que não temos novos ... vamos tapar furos, eram voos improvisados”, disse o jornalista.

Alguns destes improvisos, segundo o profissional da TPA, eram feitos à vista de todos que seguiam a bordo, como aconteceu no Huambo, uma das passagens de uma viagem para esquecer.

“Chantaram as bacterias do helicóptero, como fazemos nos carros, com a ajuda de um camião bombeiro que estava no aeroporto Albano Machado. Ligaram os cabos, (o motor) pegou e disseram podem embarcar”, conta Cose, admitindo ter ficado com “o estômago às voltas porque não estava habituado”.

Em Benguela, segundo apurou a VOA, há um outro helicóptero do mesmo tipo, no aeroporto do Lobito, de onde partiu o aparelho acidentado.

Num comunicado enviado às redacções, sem qualquer referência a alegações sobre a situação destes helicópteros, fabricados há 62 anos em França, o Estado-maior General das FAA comunica a criação de uma comissão de inquérito para apurar as causas do acidente.

Os dois feridos, também militares, foram evacuados para Luanda após uma curta passagem pelo Hospital Geral de Benguela, que diz ter diagnosticado traumas no abdómen e no tórax.

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