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Indícios de gestão danosa na Cruz Vermelha de Angola chegam ao Presidente da República


Mais de 300 mil dólares disponibilizados para salários geram desconfiança

Subiu de tom a revolta dos trabalhadores da Cruz Vermelha de Angola (CVA), agora há um ano sem salários, quando se soube que o Ministério da Saúde tem efectuado pagamentos de forma regular, conforme atestam documentos emitidos pelo Tesouro Nacional.

Suspeições de gestão danosa na organização liderada pela empresária Isabel dos Santos levaram os secretários provinciais a denunciar os factos ao Presidente da República, João Lourenço, enquanto Presidente Honorário da instituição, numa petição em que se solicitam sete anos de subsídios e a reposição de descontos salariais.

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Numa circular assinada pelo secretário-geral, Walter Quifica, a CVA informa aos funcionários que deixou de receber dotações orçamentais, mas o Ministério da Saúde, confrontado por secretários provinciais, diz ter transferido para a conta da organização 51 milhões e 973 mil Kwanzas, cerca de 302 mil dólares americanos, para o pagamento de ordenados ao longo de 2017.

Após uma reunião no passado dia 18 de Dezembro, em Luanda, os secretários provinciais notam que a situação económica e financeira do país, evocada na circular da CVA, pode ter servido de pretexto para um descaminho de verbas.

Perante um cenário de suspeições, o jurista Viriato Albino, que não perde de vista o fim da era da impunidade, aponta a Procuradoria-Geral da República como destino incontornável para um caso de violação de direitos.

“É uma clara violação de um direito fundamental, que é o direito à remuneração. O Presidente da República já se pronunciou sobre o fim da impunidade, pelo que uma queixa nesta altura parece ser oportuna. A resposta pode dar a ideia de que este Executivo quer de facto acabar com as más práticas do anterior’’, aconselha Albino.

Solidário com os cerca de 100 trabalhadores da Cruz Vermelha de Angola, o activista Adérito Chiúca lembra que o problema de gestão está a matar organizações da sociedade civil

“Tenho um sentimento de dor e de tristeza enquanto activista, sei o que passa um activista para exercer a sua actividade. Se o Ministério da Saúde confirma que foi pago, então há aqui um problema de gestão e de falta de transparência. É um problema, aliás, que leva, hoje, à queda de muitas organizações a nível do país’’, sublinha Chiúca.

A VOA voltou a não ser feliz numa tentativa de contacto com o secretário-geral, há muito sob investigação da Polícia Económica.

Na petição a que fazemos referência, ainda sem resposta, é solicitada uma ‘’rápida intervenção’’ do Presidente da República.

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