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2016: Guiné-Bissau em retrospectiva

  • Lassana Casamá

Manifestação em Bissau

O ano de todas as crises.

O ano de 2015 na Guiné-Bissau foi dominado, uma vez mais, pela política, mais precisamente pela crise política que influenciou todos os sectores da vida nacional.

O Presidente da República e o PAIGC, partido mais votado nas eleições de 2014, travaram uma ferrenha batalha política e na qual entraram outros actores políticos como o PRS que aliou-se ao Chefe de Estado.

Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, e José Mário Vaz, Chefe de Estado, foram as figuras que maracam este ano.

Dois acordos sucessivos foram alcançados, mas sem resultados.

Conacri e Bissau foram palcos de negociações entre as partes.

Primeiro, em Bissau, esteve uma missão de alto nível da CEDEAO, composta pelos presidentes da Guiné Conacri, Alpha Condé, e da Serra Leoa, Ernest Koroma.

Segundo, como o citado acordo não foi cumprido, as partes deslocaram-se a Conacri.

Na capital do país vizinho, tudo correu bem, mas, chegada à hora da implementação do que foi assinado, assistiu-se a mais um episódio da crise, que culminou com a demissão do Governo liderado por Baciro Djá e a nomeação de Umaro Mocktar Sissoko para o cargo do primeiro-ministro.

Aliás, no âmbito desta mesma crise, ainda por conter, esteve em Bissau Hellen Johnson Sirleaf, Presidente da Libéria e em exercício da Conferência dos Chefes de Estado e de Governos da CEDEAO.

Muitas figuras marcaram a crise politica, na Guiné-Bissau, em 2016, como Cipriano Cassamá, presidente do Parlamento, e Florentino Mendes Pereira, secretário-geral do PRS.

Quem também esteve atento à evolução da situação foi Nuno Na Bian, adversário político do actual Chefe de Estado, nas eleições de 2014.

O ano prestes a terminar deu origem a dois movimentos alegadamente anti-crise: Iniciativa Bassora e o Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados.

Este último protagonizou duas manifestações exigindo o fim da crise, através da dissolução do Parlamento e a consequente convocação de eleições antecipadas.

Futebol deu alegrias

Mas nem tudo se resumiu à crise política.

O ano fica marcado pelo apuramento da Guiné-Bissau, pela primeira-vez, para a fase final do Campeonato Africano de Futebol das Nações, a decorrer no próximo mês no Gabão.

Uma nota para o regresso ao país do contra-Almirante, José Américo Bubu Na Tchutu, preso, julgado e condenado pela justiça norte americana, devido ao seu envolvimento no tráfico de drogas.

Na altura, as autoridades politicas do país reagiram com prudência ao seu regresso.

Problemas sociais

Registaram-se também sucessivas paralisações no sector educativo guineense.

Os professores das escolas públicas não se desarmaram ao longo do ano, alegando incumprimento do diploma da carreira docente.

Foi no meio de toda esta crise politica, que o então Governo liderado por Baciro Djá assinou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um acordo que abre a possibilidade para a retoma do programa de assistência à Guiné-Bissau.

Entretanto, na perspectiva da Liga Guineense dos Direitos Humanos há indicadores preocupantes quanto à falta de respeito pelos direitos humanos.

Uma outra nota a registar em 2016 foi a reunião de 10 organismos de regulação jornalística da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa em Bissau, onde discutiram a "regulação editorial no online".

No cair do pano, uma nota para a formação do Governo liderado por Umaro Sissoko Embaló: 37 membros, com apenas cinco mulheres.

Ouça a retrospectiva na íntegra:

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