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Guerra na Ucrânia levanta interrogações sobre diamantes angolanos


Foto de arquivo

Companhia russa sancionada pelos Estados Unidos é o maior investidor da Catoca

A indústria de diamantes de Angola corre agora o risco de ser afectada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e países ocidentais à Rússia.

Isto porque um dos maiores investidores na produção diamantifera angolana é a companhia russa Alrosa, a maior companhia de diamantes do mundo e que é responsável por 90% da produção de diamantes da Rússia que é por outro lado 28% da produção global.

A Alrosa controla 32,8% da mina de diamantes da Catoca, sendo juntamente com a Endiama (também com 32,8%) a maior accionista desse empreendimento na quarta maior mina de diamantes do mundo.

Inicialmente as sanções americanas aplicadas a 24 de Fevereiro abrangeram a empresa Alrosa que assim se vê privada de aceder a capital estrangeiro, participar em transacções financeiras e ter os seus bens em países ocidentais congelados.

Como é que isto poderá afectar as operações da Catoca e portanto da Endiama permanece por esclarecer já que nem a companhia russa, nem a Endiama ou o governo angolano se pronunciaram sobre a questão.

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Como é que aqueles que aplicam as sanções vão decidir sobre a exportação e actividades financeiras da Catoca permanece também por esclarecer.

A esmagadora maioria doss diamantes angolanos (89,8%) são exportados para o Dubai nos Emirados Árabes Unidos que até agora tem mantido o silêncio sobre as sanções à Rússia.

Milionários russos próximos do Presidente Vladimir Putin possuem mansões de luxo no país. O jornal New York Times disse que 38 empresários ou funcionários legados a Putin possuem “dezenas” de propriedades no Dubai avaliadas em mais de 314 milhões de dólares e seis dessas personalidades estão abrangidas pelas sanções americanas, não havendo até agora quaisquer sinais que o Dubai tenciona fazer valer essas sanções.

Contudo a possibilidade da Endiama ou a produção de diamantes angolana cair nas malhas das sanções surge numa altura em que o estado angolano está envolvido numa campanha realizando uma conferência internacional em Novembro no Saurimo que pretende transformar num polo de investimentos da indústria de diamantes.

O mês passado Angola realizou no Dubai um forum para captação de investimentos para esse polo de desenvolvimento diamantífero.

As sanções americanas aos diamantes russos intensificaram-se já este mês com a imposição de sanções a todas as importações de diamantes russos mas isso não parece abranger diamantes angolanos pois as exportações angolanas para além do Dubai vão para a Bélgica e Israel embora haja 3,7% que vão para países não especificados.

As exportações angolanas de diamantes foram avaliadas o ano passado em 1.150 milhões dólares.

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