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Sanções à Rússia já provocam impactos na economia moçambicana


Mercado de Zimpeto, Maputo, Moçambique

CTA avisa que médias e pequenas empresas vão sofrer, mas consequências podem afecta consumidores

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) diz que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia já está a ter graves repercussões na economia moçambicana, particularmente ao nível das pequenas e médias empresas, e o Governo defende ser necessário encontrar soluções concertadas, face à situação.

O presidente da CTA, Agostinho Vuma, lançou o alerta ao afirmar que "as nossas pequenas e médias empresas são as mais afectadas por este conflito porque são obrigadas a reunir um elevado número de meticais para fazer face a um único dólar".

"Estamos a prever um grande aumento da inflação, pelo que esperamos que o Banco de Moçambique, no âmbito das suas responsabilidades", adopte medidas macroeconómicas que possam controlar a subida de preços", defendeu aquele dirigente empresarial.

A CTA considera também que devido a esta guerra, "a breve trecho, poderemos assistir, em Moçambique, a uma escalada de subida das taxas de juro e isso vai sufocar a nossa economia, sob o ponto de vista de retoma de créditos para o investimento directo".

Agostinho Vuma defende a revisão das perspectivas de crescimento da economia moçambicana para 2022 porque, sublinhou, com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia fica definitivamente comprometido o crescimento de 4,4 porcento previsto para este ano".

No seu entender, esta situação se agrava sobretudo pelo facto de Moçambique ser importador directo de mercadorias tanto da Rússia, quanto da Ucrânia, entre as quais se destacam cereais e lubrificantes.

Impacto nos bens essenciais

Entretanto, o economista Custódio Dias é da opinião de que os apoios não devem ser apenas às empresas, mas também às famílias, "para puderem amortecer o impacto desta guerra, sobretudo nos preços de pão e do transporte, porque com um eventual aumento do combustível, a tarifa do chapa (taxi) vai ter que subir".

"Eu penso que os moçambicanos devem-se preparar para um cenário não muito bom, porque a situação de guerra só agora começa a fazer-se sentir, e vai exigir que todos nós nos adaptemos a essa situação; só espero que o Governo não entre em novas aventuras de endividamento que possam comprometer o nosso futuro", realça aquele economista.

Por seu lado, o primeiro-ministro, Adriano Maleiane, reconheceu que a situação prevalecente na Ucrânia já está a ter impacto ao nível da economia mundial e particularmente a moçambicana, no que diz respeito aos preços dos produtos como combustíveis e cereais.

Aquele governante anotou que Moçambique, sendo tomador de preços, “temos que ter em consideração que este é um problema de países e exige, naturalmente, a solidariedade e compreensão de todos para termos esta situação sob controlo, e isso desafia-nos a encontrar soluções concertadas para mantermos o normal funcionamento da nossa economia".

Para o também economista Luís Taula, não pode ser de outra forma, "e para já, o Governo vai ser obrigado a rever em baixa o crescimento da economia, e a inflação vai subir muito por causa desta guerra”.

Mas alerta que “não se pode pensar que isto só vai acontecer com Moçambique, a economia mundial vai ser afectada".

Moçambicano raptado em Kyiv, Ucrânia, foi libertado 4 dias depois
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