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Governos da CPLP devem priorizar combate à fome, diz representante da FAO


África tem mais pobres agora do que em 1990

Os Governos dos Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa devem fazer muito mais para reduzir a insegurança alimentar e eliminar a fome, que afecta ainda 22 milhões de pessoas num universo de 25 milhões de indivíduos.

Na última década e meia, enquanto o Brasil retirou o seu nome do mapa da fome no mundo, Cabo Verde foi o lusófono que mais conseguiu reduzir a pobreza.

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Para o representante da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação junto da CPLP e Portugal Hélder Muteia, o combate à insegurança alimentar e pobreza passa por acções integradas que devem ser priorizadas.

“Há uma voz que se ergue, que é colectiva, a chamar a importância e a primazia desse tema relativamente a tudo o resto, porque a alimentação é um direito fundamental", disse Muteia.

Para aquele representante da FAO, três factores contribuem para esta abordagem que leva a agricultura a modernizar-se e a criar riqueza, inclusive para os próprios produtores que, em muitos casos, apesar de fornecerem alimentação ficam na pobreza.

Para aquele responsável, “os governos têm a responsabilidade de criar políticas públicas de acesso à terra e a àgua, enquanto os agricultores têm de modernizar-se para integrarem o mercado”.

Neste sentido, Hélder Muteia defende a modernização da agricultura, “o que exige o acesso ao crédito”.

Entre os países de língua portuguesa, enquanto o Brasil saiu do mapa da fome, com uma redução drástica desde 2002, Guiné-Bissau continua na cauda com três de quatro cidadãos a viverem na pobreza.

Cabo Verde é o país lusófono que mais reduziu a pobreza crónica na última década e meia, passando, de 49 por cento na década de 1990 para cerca de 26 por cento em 2014.

As Nações Unidas indicam que a subnutrição crónica na faixa etária entre zero e cinco anos reduziu de 16 por cento para 9,7 por cento, enquanto a subnutrição aguda caiu de 6 por cento para 2,6 por cento, no arquipélago.

Angola também registou muitos progressos, tendo agora uma taxa de 14,2 por cento de subnutrição aguda.

Em Moçambique, o índice de pobreza manteve-se estável na última década, apenas com uma ténue melhoria, descendo de 54,7 por cento, para 54 por cento do total da população, enquanto em São Tomé e Príncipe, um estudo do Governo indica que 63 por cento dos cidadãos são pobre.

Hélder Muteia refere, no entanto, à existência de vários programas em nos países da CPLP.

Um estudo do Banco Mundial divulgado nesta sexta-feira revela que a África registou um aumento de 100 milhões de pobres nos últimos 25 anos e que no futuro as pessoas mais pobres do mundo estão concentradas no continente.

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