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Governo vai introduzir combustível menos poluente em Moçambique

  • Ramos Miguel

Ambientalistas pedem mais medidas num país que enfrenta o desmatamento e a exploração excessiva da madeira comercial.

O Governo de Moçambique cedeu à pressão da sociedade civil e vai introduzir, a partir de Junho , um novo tipo de combustível menos poluente ao ambiente, numa altura em que o país enfrenta graves problemas ambientais, entre os quais o desmatamento e a exploração excessiva da madeira comercial.

Ambientalistas dizem que Moçambique ultrapassou, há bastante tempo, os valores limites do dióxido de azoto com consequências para a saúde pública.

Na actualidade, circulam milhares de viaturas a gasóleo e ambientalistas consideram que este parque automóvel é responsável pela entrada das partículas do enxofre no ar respirado pelos humanos.

Para o ambientalista Osório da Costa, esta situação, para além de perigar a saúde pública, concorre também para o aumento do carbono preto e lamenta "que esta decisão não tenha sido tomada há bastante tempo".

O Governo, na voz do director nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Moisés Paulino, reconhece a situação e diz ser por isso que pretende substituir o actual combustível mais poluente por um outro amigo do ambiente.

"A partir de Junho próximo, Moçambique vai introduzir o combustível de 50 PPMs em substituição dos actuais 500 PPMs, que são a quantidade de enxofre que existe no gasóleo actual, que é bastante elevada", reconheceu aquele responsável.

Mas os ambientalistas dizem que ainda não estão satisfeitos porque os 50 PPMs ainda são elevados e exigem que o Governo avance para os 10 PPMs, recomendados internacionalmente.

Osório Costa destacou que actualmente, em muitas cidades moçambicanas, nas chamadas horas de ponta, o tráfego fica congestionado, poluindo ainda mais o meio ambiente.

"Mas não se deve pensar que os problemas ambientais em Moçambique se resumem apenas às emissões do enxofre, porque temos também a pressão sobre o uso dos recursos naturais, o abate indiscriminado da fauna, o tráfico do marfim, aexploração excessiva da madeira comercial, desmatamento e poluição industrial, que precisam de uma acção forte do Governo", concluiu aquele ambientalista.

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