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Funcionários do Hospital Municipal de Caculama sem salários há 12 meses despedidos

  • Isaías Soares

Ribeiro José, director do Hospital Municipal de Caculama

Foram despedidos depois de reivindicarem o pagamento de salários

Vinte e um funcionários em regime de contrato de trabalho no Hospital Municipal de Caculama, em Malanje, foram despedidos nos últimos dias por reivindicarem o pagamento de 12 meses de salários em atraso.

Na sua maioria enfermeiros recrutados localmente para fazer face às necessidades dos habitantes da região, a 56 quilómetros da sede provincial, Malanje, eles decidiram parar toda a actividade que prestavam naquela unidade hospitalar de referência, depois de serem informados que o fundo de maneio é irrisório, embora dois milhões de kwanzas tenham sido cabimentados para o pagamento mensal dos funcionários em regime de contrato.

Bloco operatório sem pequenas cirurgias há dois anos
Bloco operatório sem pequenas cirurgias há dois anos

O supervisor de enfermagem, António José Bernardo, confirma que a paralisação foi antecedida de uma carta endereçada à Administração Municipal local.

“Nós fizemos esta carta em função da reunião do dia 19 feita pelo próprio director que recebe mensalmente quanto milhões de kwanzas e nós ficamos surpreendidos ao dizer que recebe quatro milhões kwanzas, enquanto ficamos um ano sem salários, como o hospital fica sem medicamentos”, disse Bernardo, reforçando que “a própria cozinha está em divida há mais de seis meses”.

Os lesados, dos quais 15 mulheres, estão a ser ouvidos desde segunda-feira, 25, pelo Serviço de Investigação Criminal de Caculama.

A direcção do Hospital Municipal de Caculama, liderada pelo médico Ribeiro André José, poderá pronunciar-se nas próximas horas, mas a VOA apurou de fonte segura que do encontro realizado com os funcionários demissionados, administrador municipal e direcção do Hospital Municipal de Caculama não saiu qualquer resultado.

Com pouco mais de 100 funcionários, dos quais cinco médicos actualmente ,a unidade deixou de efectuar pequenas cirurgias há dois anos.

Também há 9 meses sem salários está outro grupo de mais de 20 especialistas que atendem os serviços de cuidados primários de saúde nos centros e postos de saúde distribuídos pela sede e comunas daquela região de Malanje.

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