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Frelimo encara desafios em congresso

  • Ramos Miguel

Filipe Nyusi deve reforçar sua posição

Paz e descentralização devem ocupar grande parte do debates

Arranca naterça-feira, 26, na Matola, arredores de Maputo, o XI congresso da Frelimo, numa altura em que as várias correntes internas estão preocupadas com a paz e com uma liderança ousada e criativa, para além da questão relativa às chamadas dívidas ocultas.

A agenda oficial do congresso ainda não foi divulgada, mas tendo em conta os debates da fase preparatória do evento, a paz deverá ser um dos temas dominantes, à luz dos assuntos que estão a ser discutidos na mesa do diálogo entre o Governo e a Renamo.

Entre os assuntos em cima da mesa figura a descentralização, exigida pela Renamo para permitir a eleição de governadores provinciais, um assunto em relação ao qual os vários grupos internos da Frelimo, aparentemente, não têm grandes divergências.

O analista Amorim Bila, diz que quando se fala da eleição de governadores "nem é problema, porque o entendimento que a Frelimo teve quando lançou esta discussão foi que o processo da governação local, tem de ser um processo gradual".

"Mas o que acontece é que a Renamo e o MDM, representados no Parlamento, se juntam e dizem que temos que fazer a descentralização", destacou aquele analista.

Bila afirmou ainda que em 2016, o Presidente da República criou uma comissão para aprofundar esta questão da descentralização, tendo em conta aquilo que é a realidade do país.

Para o analista Francisco Matsinhe, o país tem de avançar para a descentralização para que os partidos mais votados numa determinada província possam formar os seus próprios governos.

Matsinhe referiu que no caso concreto da província central de Sofala, onde nas recentes eleições "a oposição obteve mais de 70 po rcento dos votos, faz pouco sentido que o governador e o Governo sejam indicados pela Frelimo, numa situação em que a Frelimo é oposição naquela província".

Entretanto, este é o congresso em que as várias correntes vão também esforçar-se por colocar o maior número de elementos no Comité Central e em que Filipe Nyusi vai tentar impor-se sem interferências internas.

A elevada dívida pública, a pobreza, sobretudo a urbana e o emprego para a juventude, entre outros assuntos, vão ser debatidos também neste congresso que termina a 1 de Outubro próximo.

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