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Forças iraquianas avançam no oeste de Mosul


REUTERS Força de Intervenção Rápida iraquiana ajuda um rapaz ferido após ataque em Mosul, 24 Fev.
REUTERS Força de Intervenção Rápida iraquiana ajuda um rapaz ferido após ataque em Mosul, 24 Fev.

As tropas iraquianas, apoiadas por caças e helicópteros, lutavam neste Sábado, 25 de Fevereiro, contra os extremistas na zona oeste de Mosul, numa dura e provavelmente longa batalha para reconquistar este reduto do grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque.

Nos últimos dois dias, centenas de civis fugiram da cidade ante o avanço das forças iraquianas, mas as ONGs calculam que 750.000 habitantes permanecem sitiados na zona oeste da segunda maior cidade do país.

Quase uma semana depois do início da ofensiva, as Forças Armadas reconquistaram a maioria das regiões que cercam a cidade, com a retomada do aeroporto e de uma base militar anexa. Os soldados também entraram em bairros da periferia.

A operação, com milhares de homens da Força de Intervenção Rápida, do Comando de Elite Antiterrorista (CTS) e da Polícia Federal, começou a 19 de Fevereiro a partir da zona sul de Mosul.

Os soldados seguem agora para o centro da cidade, na margem oeste do rio Tigre, que divide a localidade.

Segundo informou o tenente-coronel Abdelamir al-Mohamadawi, as forças iraquianas avançaram "para a sede do governo de Mosul, no centro", recuperando praticamente na totalidade o bairro de Jawsaq, dos jihadistas.

As forças iraquianas enfrentam uma resistência cada vez mais intensa dos combatentes do EI, à medida que avançam pelos bairros da zona oeste de Mosul, os de maior população na cidade.

"O Daesh (acrônimo árabe do Estado Islâmico) utiliza moradores como escudos humanos", disse o tenente-coronel, enquanto os helicópteros lançavam foguetes contra os extremistas em Jawsaq e os tanques abriam fogo para eliminar os franco-atiradores do EI.

Nos bairros "liberados" da zona oeste, os moradores comemoravam a presença das forças de segurança.

"Os jihadistas nos obrigavam a usar calças curtas e deixar a barba crescer. Os cigarros eram proibidos. As mulheres tinham que cobrir até os olhos", contou Othman Raad, de 20 anos, sentado na escada de sua casa em Jawsaq.

"Agora estamos tranquilos, nossas crianças estão seguras, estamos a salvo", completou, apesar dos combates que prosseguem perto da residência.

Em Junho de 2014, o EI conquistou Mosul e outras regiões do Iraque antes de proclamar um "califado" entre Iraque e Síria, onde também assumiu o controle de amplas faixas do território.

O grupo extremista chegou a ocupar um terço do Iraque, mas nos últimos dois anos perdeu muito espaço para as múltiplas ofensivas respaldadas pela aviação e os conselheiros da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Neste Sábado, a repórter Shifa Gardi, do canal curdo Rudaw, morreu quando trabalhava na cobertura da batalha de Mosul.

"O jornalismo permanece dominado pelos homens, mas Shifa Gardi quebrou esta percepção e os estereótipos. Nós homenageamos seu jornalismo corajoso", anunciou a emissora.

De acordo com fontes do canal Rudaw, Shifa morreu na explosão de uma bomba em uma estrada ao oeste de Mossul. O cinegrafista que a acompanhava ficou ferido e foi levado para Arbil, capital do Curdistão iraquiano e onde fica a sede da emissora.

AFP

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