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Fiéis da seita de Kalupeteca denunciam tortura e perseguição no Huambo

  • João Marcos

Caso Kalupeteca, Tribunal Provincial do Huambo, Angola

Oficial da Polícia desconhece ‘’sofrimento’’ do do secretário-geral da seite, Justino Chipango, na cadeia

Quase dois meses após a detenção, no Bailundo, do secretário-geral, Justino Chipango, fiéis da seita ‘’A Luz do Mundo’’ na província do Huambo dizem que são perseguidos pela Polícia mesmo sem realizarem qualquer tipo de actividade religiosa.

Há relatos de tortura numa área onde se encontram centenas de seguidores de José Julino Kalupeteca, líder da seita, que cumpre em Benguela uma pena de 20 anos de prisão por homicídio qualificado e uso de força contra a autoridade.

Seguidores de Kalupeteka dizem-se perseguidos e torturados - 2:40
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Barroso Agostinho, um dos fiéis, começa por lamentar a situação actual do segundo homem da ‘’A Luz do Mundo’’, seu familiar, detido a 12 de Novembro último, com a Polícia, refere, a fazer recurso a tiroteio em casa do companheiro que o acolheu há cinco meses.

“Não foi julgado, não ouvimos nada e ele está doente, com as pernas inflamadas por ter sido algemado. Na Comarca não deixam entrar nem comida nem medicamentos. As visitas, às vezes aceitam, às vezes não aceitam. Queremos que o Governo nos ajude neste caso, mesmo que estamos a ser perseguidos’’, pede Agostinho.

Ele teme que os cristãos, juntos numa localidade da província do Huambo, voltem a ser torturados.

“Já aconteceram torturas, por isso tememos que a mesma Polícia volte a atacar o sítio. Já não estamos a pregar o evangelho, tudo vai depender um dia se o Governo aceitar largar o próprio Julino que está lá em Benguela”, concluiu.

Ao recordar as circunstâncias da detenção, o cidadão Barroso Saludi, dono da casa onde esteve o secretário-geral da seita, era um homem bastante aflito.

“Fui agredido, correram comigo com quatro tiros, por isso tive de fugir. Até agora a minha casa é controlada, fugi para um outro sítio, estamos a ser muitos perseguidos’’, conta a fonte.

Com a detenção de Justino Chipango já sob a alçada do Ministério Público, o porta-voz da Polícia no Huambo, Martinho Kativa limitou-se, sem gravar entrevista, a explicar que o assunto é relativo ao processo de Kalupeteka, considerado o autor moral do massacre no monte Sumi.

Quanto a torturas e impedimentos no acesso à Comarca, diz não estar a par das ocorrências, mas promete um pronunciamento nas próximas horas.

Refira-se que outros seguidores da seita ‘’A luz do Mundo’’ apanharam entre 16 e 27 anos de cadeia.

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