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Famílias nos Gambos recusam projecto do Governo local

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Placa de Abastecimento de Água à Transumância

Residentes acusam governador de querer levar água para a sua fazenda

Várias famílias da localidade do Tchihepepe, no município dos Gambos, no sul da província angolana da Huíla, estão indignadas com a execução de um projecto de água do Governo a partir de uma velha fonte que pode condicionar o acesso delas à água.

O projecto com prazo de execução de um ano a contar do passado mês de Julho visa o abastecimento de água às populações e ao gado conforme a inscrição na tabuleta, mas a comunidade acredita que o mesmo vai perigar o seu acesso a água e beneficiar fazendas privadas nos arredores.

O projecto terá arrancado com uma posição de força do Governo segundo contou sob anonimato um dos membros da comunidade.

“No dia 7 de Julho nós estávamos nas nossas casas e postos, encontramos o governador e a sua equipa começou a cavar aqui no terreno da missão do Tchihepepe sem a permissão de ninguém, mas quando o povo perguntou por quê que estava a cavar, o governador disse que o terreno é do Governo e eu posso fazer o que entender´”.

A disputa da velha fonte de água da qual dependem cerca de 600 famílias, aparentemente a favor de interesses particulares, acontece numa zona crítica em termos do líquido precioso.

A Missão Católica de Santo António que beneficia da fonte também discorda do projecto governamental que podia buscar água de um rio local, de acordo com o pároco, Pio Wakussanga.

“O açude já não transborda de água, então é sinal de que de facto se houver um sistema que bombeia água para mais de 30 quilómetros de certeza que a água não vai chegar e é pena que é um projecto que já encontrou o projecto da missão”, explicou.

No local aponta-se que o maior beneficiário do projecto de água em execução é o governador, João Marcelino Tchipingui, que pretende levar água à sua fazenda.

O também activista, lamenta tal comportamento.

“Ele vinha quando podia, rezava sempre connosco aos domingos especialmente nas grandes solenidades e nós o acolhemos como irmão em Cristo. Não se pode perceber que um irmão em Cristo que foi ajudado pela própria igreja a ser promovido enquanto quadro um irmão em Cristo que foi seminarista, como é que um baptizado em Cristo é capaz de fazer isto aos seus irmãos em Cristo? É uma contradição”, lamentou Pio Wakussanga

A VOA tentou sem sucesso ouvir reações do Governo local.

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