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Evo Morales renuncia à Presidência da Bolívia e diz ter sido algo de golpe cívico


Presidente disse ter sido notificado de "prisáo ilegal"

O Presidente da Bolívia, Evo Morales, renunciou ao cargo neste domingo, 10, depois de três semanas de protestos contra o que a oposição e activistas classificaram de fraude.

A decisão foi anunciada por Morales, no período da manhã em mensagem à nação, depois da Polícia e das Forças Armadas terem pedido a sua demissão e da Organização dos Estados Americanos (OEA) ter reiterado a existência de fraude nas eleições.

Entretano, à noite, ele escreveu numa rede social que um "oficial da polícia anunciou publicamente que tem instrução para executar um mandado de prisão ilegal" contra ele.

"Grupos violentos assaltaram minha casa. Os golpistas destroem o Estado de Direito", acrescentou.

Além de Evo Morales, o vice-presidente, Álvaro García Linera, também apresentou a renúncia.

"Decidi, escutando meus companheiros, renunciar ao meu cargo da presidência", disse Evo Morales, que explica a sua decisão atacando os adversários.

"Para que Mesa e Camacho não sigam perseguindo meus irmãos dirigentes sindicais. Para que Mesa e Camacho não sigam queimando a casa dos governadores de Oruro e Chuquisaca", acrescentou

"Lamento muito esse golpe cívico, e de alguns sectores da polícia que se juntaram para atentar contra a democracia, contra a paz social com violência, com amedrontamento para intimidar o povo boliviano", afirmou Morales.

De acordo com o governante boliviano, a luta ainda não acabou.

"Quero dizer-vos que luta não acaba aqui. Os humildes, os pobres, os sectores sociais, vamos continuar. A minha obrigação como Presidente indígena e de todos os bolivianos é encontrar a pacificação do país", concluiu.

O Ministério Público da Bolívia anunciou hoje que vai processar os membros do Supremo Tribunal Eleitoral devido a irregularidades "muito graves" detectadas pela OEA, que podem levar a "erros criminais e eleitorais relacionados com o cálculo dos resultados oficiais" das eleições de 20 de Outubro.

Eleições e protestos

A crise na Bolívia tomou maiores proporções após as eleições de 20 de Outubro quando Evo Morales anunciou ter sido reeleito na primeira volta.

Depois de uma apuração problemática, o órgão responsável por computar os votos apontou o seguinte resultado final: Evo Morales: 47,07% dos votos e Carlos Mesa: 36,51%.

Como a diferença entre Morales e Mesa foi de mais de 10 pontos percentuais, ele foi reeleito para seu quarto mandato.

O resultado foi contestado pela oposição e, no dia 30 de Outubro, o Governo e a OEA concordaram em realizar uma auditoria.

A oposição foi às ruas em protestos e depois de duas semanas de muita violência, a polícia parou de reprimir as manifestações.

Houve motins em quartéis do país.

Na sexta, 8. e no sábado, 9, polícias se amotinaram e o Governo respondeu com um comunicado no qual denunciava um plano de golpe de Estado.

Neste domingo, Morales renunciou.

Por agora, desconhece-se o que se segue e quando será realizadas novas eleições.

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